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Astronomia

Por que o homem não voltou mais à Lua?

Eliza Kobayashi

 

Conquista histórica O astronauta Buzz Aldrin, segundo a pisar na Lua, é fotografado por Neil Armstrong, o primeiro, ao lado do módulo lunar

No dia 20 de julho de 1969, os astronautas americanos Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins aterrissaram com sucesso na superfície do nosso satélite natural a bordo do módulo lunar da missão Apollo 11. Armstrong foi o primeiro a descer da nave e, com isso, tornou-se o primeiro homem na história a pisar na Lua, seguido de Aldrin. Collins permaneceu dentro da cabine de controle, na parte da nave que permaneceu em órbita da Lua. O evento foi transmitido pela televisão ao mundo inteiro, que pôde ouvir, ao vivo, a célebre frase do astronauta ao imprimir suas primeiras pegadas no árido solo lunar: "Este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".

O contexto histórico e político dessa conquista está inserido na corrida espacial travada entre os Estados Unidos e a a então União Soviética durante a Guerra Fria, período em que ambas as nações rivalizavam pela hegemonia mundial por meio de seu poderio tecnológico, espacial e nuclear. "De fato, a grande vontade dos americanos era a de ultrapassar os russos", afirma o professor Eduardo Cypriano, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Disputas a parte, a façanha também trouxe avanços nos conhecimentos do homem em relação ao satélite. Os astronautas trouxeram de lá amostras do solo e de rochas para serem analisadas na Terra, que ajudaram a entender a composição e a formação geológica lunar. Além disso, instalaram ali um espelho por meio do qual os cientistas, ao lançar um feixe de raio laser em sua direção e medirem o tempo que ele leva para incidir e voltar, conseguem calcular a distância exata entre Terra e Lua.

Doze privilegiados
O Programa Apollo foi criado pelo governo dos Estados Unidos e viabilizado pela Agência Aeroespacial Americana, a Nasa, para realizar pesquisas científicas na Lua. No total, foram 11 missões. As quatro primeiras ocorreram entre outubro de 1968 e maio de 1969, e fizeram apenas testes com módulos de espaçonaves e orbitaram em torno do satélite. Foi só na quinta missão, a Apollo 11, que os astronautas efetivamente pousaram e caminharam sobre a Lua. Durante três anos, o país enviou outros astronautas ao local por mais seis vezes. Com exceção de uma missão, a Apollo 13, que por problemas no funcionamento da nave teve que retornar à Terra antes mesmo de chegar à Lua, todas foram bem sucedidas. Assim, além dos pioneiros Armstrong e Aldrin, outros dez homens tiveram a chance de pisar no solo lunar. A última missão do programa, a Apollo 17, foi realizada em dezembro de 1972. Depois disso, nunca mais se voltou à Lua. "O custo era muito elevado para uma missão desse tipo e envolvia riscos muito grandes", avalia o pesquisador Oswaldo Duarte Miranda, da Divisão de Astrofisica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Além disso, houve uma mudança de meta científica da Nasa, que passou a se envolver no desenvolvimento de sondas, telescópios espaciais e veículos não tripulados para a exploração do sistema solar como um todo".

Atualmente, as pretensões da agência são ainda maiores: dentro dos próximos 30 anos, a Nasa pretende enviar uma missão tripulada ao planeta Marte. Como parte do projeto, planeja até 2020 um retorno à Lua. "O objetivo é ter ali uma base para reabastecimento de combustível de naves e também poder fazer mais avaliações sobre como os astronautas reagem à exposição muito prolongada à radiação solar", explica Oswaldo. "Uma missão à Lua nunca passou de dez dias, enquanto uma viagem de ida e volta a Marte levaria dois anos. Por isso, ainda existe a dúvida se desenvolveriam patologias nessas condições", complementa.

 

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Publicado em Julho 2009,

 

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