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A ciência decifra os glóbulos vermelhos

Um prêmio Nobel coroou, há setenta anos, as descobertas do médico austríaco Karl Landsteiner

Maria de la Luz Mariz

Landsteiner: definição dos tipos de sangue a partir das hemácias. Foto: Divulgação/Georges Tresca
Landsteiner: definição dos tipos de sangue a partir das hemácias. Foto: Divulgação/Georges Tresca

Você sabe qual é seu tipo sanguíneo? Conhece alguém que já fez uma transfusão? Até o final do século passado, ninguém sonharia em fazer perguntas como essas. Para todos os efeitos, sangue era igual, fosse de gente ou de bicho. E as transfusões eram experiências arriscadas, às vezes até mortais. As coisas começaram a mudar em 1901, quando o patologista e imunologista austríaco Karl Landsteiner (1868-1943) percebeu diferenças nos glóbulos vermelhos, as hemácias. Elas variavam de acordo com a presença ou ausência de certas substâncias na membrana celular, às quais ele chamou de antígenos A e B. Uma descoberta que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina, no dia 12 de dezembro de 1930.

Aos antígenos correspondiam células de defesa circulantes no soro, batizadas de anticorpos anti-A e anti-B. Partindo dessas conclusões, Landsteiner classificou os tipos sanguíneos em grupos A (com antígenos A e anticorpos anti-B), B (com antígenos B e anticorpos anti-A), AB (com antígenos A e B e sem anticorpos) e O (sem antígenos e com anticorpos anti-A e anti-B).

Na prática, isso significa que, se uma pessoa com sangue A recebe tipo B, seus anticorpos destroem as hemácias do doador. Desse processo restam produtos tóxicos que alteram o funcionamento do coração, dos rins e do fígado, causando até a morte. Para fazer uma transfusão, portanto, é preciso identificar o grupo sanguíneo do receptor e encontrar doadores compatíveis. Para receptores do grupo A, por exemplo, servem doadores dos grupos A e O. Para os do grupo B, doadores B e O. Os do grupo AB são compatíveis com doadores de qualquer grupo. E os do grupo O só podem receber do próprio grupo.

Os revolucionários achados de Landsteiner melhoraram sensivelmente a segurança das transfusões, mas reações indesejáveis continuavam ocorrendo em cerca de 15% dos casos. Esse último mistério foi desvendado em 1939, quando se descobriu que, além dos antígenos A e B, as hemácias apresentam o D, batizado de fator Rh, que pode ser positivo ou negativo. "A partir daí, os testes de compatibilidade passaram a incluir também esse dado, tornando a transfusão um procedimento médico rotineiro e praticamente sem riscos", diz Márcia Novaretti, chefe da Divisão de Imuno-hematologia e Agências Transfusionais da Fundação Pró-Sangue de São Paulo.

Foto: Jardim
Foto: Jardim

Um risco para os bebês em gestação

O fator Rh pode ser um complicador na gestação, nos casos em que a mãe apresenta o fator negativo e o bebê, o positivo.

(1) Durante a gravidez, hemácias do filho chegam ao sistema circulatório da mãe.

(2) O organismo dela passa a produzir anticorpos anti-Rh.

Numa primeira gestação, o número de anticorpos pode não ser suficiente para prejudicar a criança.

(3) Mas nas seguintes pode ocorrer destruição maciça dos glóbulos vermelhos do feto .Os bebês que sobrevivem muitas vezes são submetidos a uma transfusão total de sangue logo após o parto.

O problema tem solução simples, diz a médica Márcia Novaretti: "Basta aplicar na mãe, no final da gravidez e logo após o parto, o medicamento imuniglobulina anti-D para evitar o desenvolvimento dos anticorpos no futuro".

Ciências
8ª série

Jogo

 

Jogo da compatibilidade

Para que seus alunos entendam como são feitas as transfusões, organize com eles partidas do jogo Compatibilidade Sanguínea, criado pelo químico e matemático Egidio Trambaiolli Neto, professor de Ciências do Ensino Fundamental. Para cada grupo de oito alunos você vai precisar de um jogo completo. É só reproduzir o modelo.

Peças

■ Dado com três lados marcados com "D", de doador, e três lados marcados com "R", de receptor.

■ Baralho com 144 cartas. Metade representa os grupos A, B, AB e O Rh positivos, na cor vermelha. A outra metade, na cor preta, fica para os tipos A, B, AB e O Rh negativos. Confeccione quarenta cartas do grupo AB (vinte de cada cor); quarenta do O; 32 do A e 32 do B.

■ Tabuleiro. Você pode adaptar as dimensões às suas necessidades. O importante é que tenha demarcações para a ficha de identificação, no alto, mais oito conjuntos de cartas com espaços para doadores e receptores e um banco de sangue.

■ Oito fichas de identificação, com a palavra "doador" de um lado e, do outro, "receptor".

■ Cartaz com esquema de compatibilidade entre os grupos ABO para ficar em local visível.

Regras

1.
Os jogadores lançam o dado para saber se serão doadores ou receptores. Pegam uma ficha de identificação e a colocam no espaço apropriado do tabuleiro, indicando a condição que tiraram no dado.

2. Cada um recebe oito cartas e as distribui no tabuleiro sobre os espaços de doador ou receptor, conforme sua identificação. O restante das cartas é arrumado em um monte.

3. Daí em diante, cada jogador pega uma carta do monte e vê se ela é compatível com alguma das cartas que já estão no tabuleiro. Se for, vai para o espaço adequado, formando uma dupla. Se não, vai para o banco, de onde não poderá mais sair. Atenção neste momento, porque as combinações possíveis mudam de acordo com a identificação do jogador. Um exemplo: se o aluno está na condição de doador e tem uma carta "O positivo" no tabuleiro, pode formar dupla com qualquer outra carta. Se, no entanto, ele for um receptor, essa mesma carta só fará par com outra carta "O".

4. Vence quem formar primeiro todos os pares.

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Publicado em Fevereiro 2000.
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