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Sexualidade na Educação

As principais dúvidas sobre Educação Sexual



Como agir com as brincadeiras de namoro entre as crianças?

| Educação Infantil, Sexualidade

Crianças de mãos dadas. Blog de Educação Sexual. Richard Stephenson/Crative Commons http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Muitos pais e professores ficam preocupados quando os pequenos brincam com o próprio corpo ou descobrem o prazer de tocar os genitais – comportamentos comuns na infância. No entanto, em uma postura contraditória, eles estimulam a criança a namorar quando ouvem o filho ou aluno se referindo ao amigo como namorado.

Namoro não é natural na infância. As criança pequenas ainda não têm condições biológicas, emocionais, e muito menos maturidade para realizar o relacionamento afetivo-sexual indispensável ao namoro.

Crianças não namoram, elas se relacionam. Para os pequenos, o outro ainda não tem a importância que o adulto dá. Uma criança não gosta de outra porque sente vontade de beijá-la, abraçá-la ou ser a única companheira de suas brincadeiras. Os pequenos gostam dos outros porque eles demonstram prazer em brincar junto, devolvem seus brinquedos, inventam uma brincadeira divertida, emprestam lápis de cores…

Por que, então, algumas crianças dizem ter namorados?

Normalmente, porque algum adulto falou isso antes. Em geral, é a partir dos três anos que as crianças passam a brincar de namoro e de papai e mamãe. Nesse momento, eles já incorporaram o conceito de gênero e começam a imitar os adultos. As brincadeiras revelam como os pequenos estão percebendo os papéis de gênero assumidos pelo mais velhos. Não indicam o desejo de ser pai, mãe ou mesmo de namorar.

Além disso, a criança constrói seu imaginário com base nas mensagens transmitidas pela família e pela sociedade. Para ela, ser namorado de alguém é gostar de estar junto. E, em geral, quem se encaixa neste perfil, é o(a) amiguinho(a) do momento.

É por isso que uma menina pode imitar os mais velhos e até dizer que o seu namorado é o Felipe. Mas, se isso não for reforçado pelo adulto, amanhã ela poderá dizer que é o Flávio, depois a Marina, a Carla…

Li na internet um depoimento de uma mãe que exemplifica bem o tema deste post. A filha de cinco anos pegou um anel de brinquedo e avisou: “Vou levar para o Felipe, posso?”. A mãe respondeu cheia de expectativas: “É um anel de compromisso?” “O que é um anel de compromisso?”, questionou a menina. “Nada, nada. Pode levar, filha.” A criança então complementou: “Não sei se vou dar pra ele ou para a Letícia.”

Uma vez, um pai me procurou muito preocupado com a possibilidade de seu filho ser gay. Ele havia perguntado ao seu filho de 4 anos quem era a namorada do menino. A resposta veio de pronto: “Ora, o Rafael!”. Apesar da ansiedade do pai, é claro que a resposta da criança não sinaliza qual será a sua orientação sexual.

As confusões acontecem porque as pessoas entendem a palavra namorado sob o ponto de vista do adulto. E têm dificuldade em diferenciar sua visão de mundo da visão dos pequenos. Deveriam lidar com os comentários de acordo com o contexto e com a capacidade das crianças. Mesmo porque, logo, logo, quando chegarem aos 7 anos, os meninos dirão que as meninas são chatas e mimadas. Já as garotas vão dizer que eles só conversam bobagens e não entendem de meninas. É por volta dos 13 anos que as crianças passam a ter interesse afetivo e sexual por alguém e de fato, namorar.

O que fazer quando o aluno diz estar namorando

Durante a infância, é importante que a criança tenha tranquilidade para fazer amigos e brincar de acordo com o seu desenvolvimento. Portanto, o professor ajuda muito ao evitar comentários sobre namoro. Também não é bom sugerir que o aluno sente ao lado de seu suposto namoradinho ou lhe dê um beijo. Atitudes como essas inibem os pequenos. O que era para ser uma amizade leve, descontraída, divertida e companheira… vira um constrangimento e tolhe o desenvolvimento e a aproximação entre eles.

A atitude da escola com os pais

Uma professora de Educação Infantil me perguntou como proceder com o aluno cuja mãe compra presentes para sua filha dar ao “namoradinho” na escola. “A mãe já trouxe até jóias, como um anel simbolizando compromisso!”, explicou.

Meu conselho? Não estimule esse comportamento na escola. Há crianças que pegam birra e nem chegam mais perto do amigo que insistem em dizer ser seu namorado.

Em casos como esses, a escola pode conversar com os pais sobre o assunto. Essa tarefa pode ficar com o coordenador ou o professor da criança. Caso o profissional se sinta inseguro, pode levar para o bate-papo a pessoa na escola que entenda de sexualidade infantil, como a psicóloga. Quem lidera essa conversa preciso conquistar a confiança e o respeito desses pais. Isso porque irá tocar em questões delicadas, como as expectativas e valores dos responsáveis pela criança.

A escola também pode promover palestras ou cursos sobre sexualidade infantil e desenvolvimento afetivo-sexual. Essas atividades para a comunidade costumam surtir um efeito positivo na compreensão dos adultos.

Há outras condutas em sua escola para lidar com essa pressão sobre as crianças? Compartilhe nos comentários!

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14 comentários

  • Meirilândia Vieira - 13/02/2014 às 21:44

    Quando meu filho tinha quase dois anos, eu brincava dizendo que ele namora com duas crianças também da mesma idade, resultado no seu aniversário de dois anos, ele beijou na boca de uma das crianças e só não beijou a outra porque a mãe dela viu. Ele dizia ela é minha. Foi aí que percebi meu grande erro.

  • Rosana Padial - 14/02/2014 às 10:07

    Um posicionamento LÚCIDO !!!!!!!!!!! que alegria!!!

  • Regina Lúcia Rodrigues - 14/02/2014 às 11:18

    Olá Maria Helena,
    Este é meu primeiro acesso a este Blog!
    Adorei a mameira direta e simples que você utilizou para escrever. E também a sua colocação sobre “sentir-se seguro” para abordar o tema. Observo que a sexualidade ainda é um tema tabu. Neste caso a ajuda de um especialista colabora para a discussão e reflexão sobre o tema. Um abraço e parabéns!

  • Lívia Guimarães - 14/02/2014 às 13:41

    Acho de suma importância evidenciar o papel do adulto nesta história toda! As crianças, na maioria das vezes reproduzem o que os adultos fazem ou falam, e isso influencia diretamente no caráter e pisicológico da criança. Nova Escola sempre com boas orientações! Parabéns! :)

  • Irse de Araújo Ferreira - 14/02/2014 às 21:05

    Parabéns,está reportagem foi muito esclarecedora é será utilizada em reunião pedagógica com os professores e com os pais.

  • ANA - 16/02/2014 às 13:48

    O QUE VOU DIZER

  • Flavia Cardoso - 17/02/2014 às 18:32

    Que maravilhosa abordagem. Uma vez atendi uma mãe com esses questionamentos, preocupada com a “malícia” da criança. Falei pra ela que a malícia está na cabeça do adulto, nós acabamos criando os monstros e perdemos a habilidade de lidar com uma situação tão simples! Parabéns pela abordagem direta e clara do tema.

  • Mario - 18/02/2014 às 21:09

    Ótima materia .

  • Flaviane - 19/02/2014 às 21:56

    Gostei bastante usarei esta reportagem com as professoras na reunião pedagógica!

  • jacqueline Polo - 26/03/2014 às 10:58

    Nossa! estou me sentindo aliviada ao ler sua matéria, Maria Helena! acho que esse assunto é pouco abordado nas escolas, e deveria existir na própria instituição um projeto de educação Sexual que abrangesse as famílias , pois os pais agem incorretamente… comentam q os filhos estão namorando, como isso fosse um troféu, e acabam incentivando direta ou indiretamente , algo que não compreendido, acaba gerando outras atitudes das crianças, que pode levá-los a uma confusão de sentimentos total. Muito obrigada pelos esclarecimentos!

  • paolaegami - 09/04/2014 às 16:17

    tem um menino na minha escola que gosta de mim mas eu nao gosto dele o que eu fasso

    • mariahelena - 22/05/2014 às 18:33

      Paola,
      Diga a ele. Sei o quanto é difícil lidar com essa situação sem machucar quem nos quer bem. Mas se você não está interessada nele, o melhor caminho é conversar e deixar isso claroe. Pode ser que ele fique triste na hora, mas isso faz parte do crescimento e passa. Amanhã vocês dois poderão dar risada do que aconteceu.
      Bjs
      Maria Helena

  • Horrana Vb - 07/09/2014 às 18:59

    Tenho uma amiga que tem uma irmã de 5 anos com 3 “namorados”, o engraçado é q os pais dela aceitam os namoros sem problema algum

  • Clicia Ribeiro - 18/10/2014 às 17:20

    acabei de saber que meu filho de 5 anos bjou na boca da tia dele q tem 5 anos tbm. O que fazer? O que dizer pra ele?
    desde ja agradeço



Quem escreve este blog
Maria Helena Vilela. Foto: Gabriela Portilho
Maria Helena Vilela, diretora executiva do Instituto Kaplan onde coordena a área de Educação Sexual
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