Fingir orgasmo: motivos e problemas

| Corpo e saúde, Ensino Médio, Sexualidade

Homens e mulheres fingem orgasmo: por que abordar esse tema na Educação Sexual? Crédito: Shutterstock/ montagem

“O que eu faço quando uma aluna me diz que finge orgasmo?”, me perguntou uma colega dia desses. Ela contou que sua aluna havia lhe dito que achava sexo muito sem graça e que sempre fingia para o namorado “ter chegado lá”.

O mais importante é ouvir as razões dela sem julgar e fazê-la refletir sobre o impacto desse comportamento para a sua saúde sexual. De acordo com o rumo da conversa, se o educador achar necessário, ele deve sugerir a consulta ao médico ou uma avaliação psicológica, já que, em geral, a anorgasmia feminina está ligada a aspectos psicoemocionais.

Por se tratar de uma questão pessoal, o educador deve conversar a sós com a aluna, mas esse assunto pode ser abordado com as alunas e os alunos do Ensino Médio na aula de Educação Sexual, para prevenção de disfunções sexuais.

Fingir é sempre ruim

Toda vez que se fala em fingir orgasmo, só se pensa na mulher. O filme Harry e Sally, com Billy Crystal e Meg Ryan tem uma cena emblemática, na qual a atriz mostra como é fácil para uma mulher fingir orgasmo. Mas, os homens, com a ajuda da camisinha, também “aderiram” à pratica de fingir orgasmo. Uma pesquisa americana revelou recentemente que mais de 30% dos homens admitiram já ter fingido orgasmo.

Homens e mulheres dizem fingir pelas mesmas razões: não magoar ou decepcionar os parceiros ou não expor sua dificuldade sexual. Ah! Os meninos ainda podem ter mais uma motivação para fingir: poupar-se para continuar o sexo. Assim, ele pensa impressionar, fingindo que está pronto para uma segunda transa na sequência. Qualquer que seja o motivo, os especialistas são unânimes em dizer que fingir orgasmo sempre será algo negativo. Quem age assim está violentando a si mesmo.

Proposta de trabalho

O orgasmo não é uma meta a ser atingida no sexo, mas consequência natural de uma relação em que há desejo, sintonia, cumplicidade e desprendimento. Na realização de um trabalho em sala de aula, o objetivo é mostrar para os alunos que, no sexo, o mais importante não é o quanto “se pega”, a quantidade de aventuras, mas o como “se pega”, os momentos de felicidade e satisfação, aqueles que realmente deixam a pessoa gratificada.

Para tanto, uma boa intervenção é a problematização. Apresente o fato para os alunos e pergunte “pra que se finge um orgasmo?”. Deixe que eles falem o que lhes vier à cabeça e em seguida divida os alunos em grupos de meninos e de meninas. Entregue uma folha de papel sulfite e peça para que listem as vantagens e as desvantagens desse comportamento. Depois de um tempo, convide os grupos a apresentarem suas produções: Após a exposição dos meninos, peça para as meninas opinarem sobre as razões colocadas e vice-versa. Esse exercício pode ser muito rico para os jovens perceberem que é fundamental cuidar do sexo, dando a ele a atenção e o valor positivo que ele merece. Quando um dos parceiros deseja que a transa acabe logo, é mais honesto e saudável nem começar. O sexo só é prazeroso para os dois se houver interesse e empenho mútuos.

A química do prazer

Em outros posts, expliquei como funcionam o orgasmo feminino e o orgasmo masculino. A Declaração dos Direitos Sexuais diz que o “prazer sexual, incluindo autoerotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual”. O prazer é gerado por substâncias naturais produzidas pelo cérebro que nos relaxam, nos preservam da dor e dão enorme prazer: as endorfinas. Outros hormônios são produzidos pelo corpo antes, durante e após o ato sexual: há uma intensa produção de adrenalina, testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, entre vários outros. Este caldeirão químico, associado a uma cadeia de processos físicos e psicoemocionais que interagem logo no despertar do desejo sexual, produzem no indivíduo uma especial sensação de bem-estar que torna a atividade sexual fundamental para a saúde e para a qualidade vida.

É normal não sentir orgasmo?

O fato de não sentir orgasmo em todas as vezes que se transa não é patológico. Mas, quando o garoto ou a garota demora mais tempo do que gostaria e prefere dizer que já chegou ao orgasmo em vez de enfrentar a causa da dificuldade, pode estar plantando um problema sexual futuro. Isso ocorre porque o ser humano, em sua memória emocional,  passa a relacionar sexo como algo sem graça, aborrecido e tal fenômeno pode de fato levar a uma disfunção sexual. No caso dos meninos, a disfunção erétil e a ejaculação tardia, e, no caso das meninas, a inibição do desejo, a anorgasmia e a dispareunia (dor na relação).

A qualidade das experiências sexuais é fundamental para se adquirir confiança pessoal e viver o relacionamento sexual de forma espontânea e prazerosa.

Prêmio Educador Nota 10

Não poderia deixar de comentar o evento Prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita. Foi uma festa muito bonita! Fiquei muito emocionada ao ver o empenho e o compromisso dos professores contemplados. Ah! Como é gratificante ver nos rostinhos de nossos alunos a alegria do saber, e em sua postura altiva, o orgulho de quem descobriu que agora detém o poder de um conhecimento. Isso foi possível porque cada um desses professores saiu da zona de conforto e foi buscar e ousar ensinar com muita competência profissional… Parabéns a todos os vencedores!!!


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Qual é a importância do sexo na conquista amorosa entre os jovens?

| Sexualidade
Quais atributos estão envolvidos na conquista amorosa. Crédito: Shutterstock

Será que a atração sexual é o único fator que desperta interesse dos jovens pelo outro?

Eu me surpreendi com a quantidade de comentários no facebook sobre o último post Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”? Fiquei feliz em saber que há crianças e jovens que já podem contar com adultos conscientes sobre a importância da sexualidade.

É um engano perigoso achar que negar a sexualidade ou não conversar sobre sexo faz com que os adolescentes percam o interesse sexual – que corre nas veias e na mente deles! A sociedade está mais liberal e isso propicia aos jovens muitas oportunidades sexuais.

É por isso que insisto na importância da Educação Sexual na escola, não só para falar sobre prevenção às DST e da gravidez, mas também sobre a qualidade de vida sexual dos jovens… Vocês dirão que estou sonhando muito alto… Mas é verdade! Os jovens precisam ser informados e refletir sobre mais temas, por exemplo, o uso do sexo na conquista amorosa.

Os atributos que interferem numa conquista é uma boa temática para trabalhar na sala de aula com os alunos do 9o ano e do Ensino Médio.

Conquista e sexo

No conceito de muitas garotas, a arma principal para se conquistar “o cara” é o sexo. De fato, a atração física e sexual é um motivo muito forte para despertar o interesse de um garoto. Mas, só o tesão não sustenta um relacionamento. Conquistar alguém é despertar no outro o encantamento e isso nem sempre depende da nossa desenvoltura sexual. O que decide mesmo nosso interesse por alguém é um conjunto mais amplo de fatores. O sexólogo americano John Money acredita que um dos mecanismos que explica a atração por alguém específico são os “mapas amorosos”.

O mapa amoroso funciona como um álbum de fotografias mental que é consultado sempre que surge alguém interessante a nossa volta. Quando ocorre o encontro com pessoas que possuem características parecidas com aquelas que temos registradas nesse álbum como significativas, a paixão pode acontecer. Assim, o ideal que temos em mente é muito mais poderoso no processo de conquista do que a sensualidade e disponibilidade sexual.

E é aí que o trabalho de Educação Sexual pode ser muito proveitoso! Numa roda de conversa com seus alunos, levante a questão: Qual tipo de pessoa atrai você?

Antigamente, uma menina sabia como preencher o modelo de mulher para conquistar um namorado. Bastava ser discreta, dengosa e prendada (saber costurar, cozinhar, cuidar de uma casa e lidar com crianças). Hoje, ainda bem, a mulher tem mais opções, principalmente na sua vida profissional. O parâmetro generalizado de “menina preferida” não existe mais.

Por outro lado, esse processo é muito recente e há casos em que ser estudiosa, ousada e independente pode amedrontar o garoto, ou não parecer atraentes à primeira vista. A atração sexual parece ser a única certeza sobre o mecanismo de atrair o outro. Por isso é muito importante que os alunos identifiquem outros tipos de atração, além da sexual: a atração afetiva, aquela em que o adolescente gosta do “jeito de ser” do  outro – seus gestos, suas atitudes, sua forma de se expressar, de fazer as coisas, de se vestir, de se posicionar nas situações… E a atração intelectual, quando se aprecia o jeito de pensar do outro: a forma de ver a vida, as expectativas, os valores morais, religiosos, a forma de se comportar na vida em relação a si, aos outros e ao mundo.

O conhecimento sobre o processo amoroso pode ajudar os jovens a encontrarem o seu próprio jeito de conquistar sem que para isso precisem extrapolar seus limites, atropelar seus valores e deixar de respeitar o seu tempo. 

Você já conversou alguma vez com seus alunos sobre isso? Compartilhe conosco!


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Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”?

| Família, Sexualidade

Releitura da capa de

Não posso deixar de compartilhar com vocês uma notícia que me incomodou muito:

… o livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, foi proibido em escolas públicas em Riverside, na Califórnia, por falar de morte e sexo. A proposta de proibição veio de uma mãe, Karen Krueger, que convenceu uma comissão de professores, pais, diretor e bibliotecários a retirar as cópias dos livros das bibliotecas do distrito. “Eu não acho que o conteúdo seja apropriado para crianças de 11, 12, 13 anos de idade”, disse ela. (Fonte: UOL)

O best-seller “A culpa é das estrelas“, do autor norte-americano John Green, conta de maneira espirituosa e sensível a história de um casal de adolescentes diagnosticados com câncer. Recentemente adaptado para o cinema, o livro trata de sexo e morte, dois temas tabu na nossa sociedade. A protagonista tem uma vida amorosa (e sexual) ao mesmo tempo em que lida com a doença e a iminência da morte. Não é o caso de avaliar se essa história é a melhor para abordar essas questões, mas quero discutir a postura superprotetora, que, oferece ao jovem silêncio e negação no lugar de uma oportunidade para o diálogo e a aprendizagem sobre questões inerentes à vida. Será que isolar crianças e jovens de temas como a morte e o sexo é positivo para seu desenvolvimento?

Isso me remeteu a minha adolescência…  Sem ter mais o poder de me proteger da vida, meu sábio e saudoso pai admitiu em uma de nossas conversas:

“Se pudesse, colocava você e seus irmãos num pedestal para que não precisassem passar por nenhum tipo de sofrimento, tristeza ou dificuldade. Mas não posso. Filha, o que posso lhe dizer é que a lei da física se aplica a lei da humanidade. Quando a gente se deixa levar pela força centrípeta ou pela centrífuga… Perde o controle sobre a própria vida e passa a ser comandado pelos outros. É preciso encontrar o equilíbrio! E, para isso, você tem que aprender a subir a sua escada da vida sozinha.”

A coragem e a humildade contidas nessas palavras são uma grande referência para mim. Até hoje pauto minhas atitudes por elas, mesmo tendo mais idade do que meu pai tinha quando as proferiu.

Desejo e realidade

Precisamos separar a nossa expectativa em relação à vida dos nossos jovens da realidade com que eles têm de lidar e vivenciar com suas próprias pernas e atitudes. Muitos pais e educadores ainda acreditam erroneamente que as aulas de Educação Sexual são uma apologia ao sexo. Eles têm a ideia – ou a esperança – de que seus filhos/alunos nem sequer pensem nisso. Será? Uma pesquisa recente mostrou que a primeira relação sexual dos brasileiros está ocorrendo por volta dos 13 anos, mesma idade registrada nos Estados Unidos e Austrália.

Hoje um casal de adolescentes pode passar um longo tempo juntos, em sua própria casa, na casa de amigos, em uma balada, em um shopping ou mesmo no cinema.

O que os jovens fazem ou não com o seu interesse sexual – que, como vimos na pesquisa, existe! – depende da Educação Sexual que tiveram, isto é, dos valores, da capacidade de tomar decisões e lidar com os desejos, da aprendizagem sobre prevenção, da sua autoestima…

Ouço muito que as crianças e jovens “não estão preparados” para lidar com esse tema. Concordo, afinal, quem já nasce preparado para alguma coisa nessa vida? Nosso papel é justamente prepará-los para lidar com questões da sexualidade, de acordo com o seu interesse e com sua capacidade de compreensão dos fatos. Eles anseiam saber! Precisamos respeitar a fase de cada um, e não impedir o conhecimento.

Muitas vezes, o sexo é reduzido ao prazer do corpo e às manifestações genitais. No entanto, a sexualidade é um instrumento que propicia experiências indispensáveis ao crescimento pessoal, à autonomia e ao desenvolvimento da individualidade e, até mesmo da cidadania, uma vez que envolve o modo como cada um entende e interpreta seus direitos e deveres para consigo e com os outros, em relação à condição de gênero, a função reprodutiva e a capacidade de se relacionar afetivo e sexualmente.

Quando se nega o trabalho de Educação Sexual ou se adere ao discurso de que esse tema é “inadequado” aos alunos, é preciso refletir: será que o educador não está deixando de ser um elemento transformador para se tornar um instrumento de atrofia pessoal e social?

Para caminharem sozinhos, os jovens precisam abastecer a bagagem da vida com conhecimentos. Sejam eles adquiridos nas experiências familiares, seja na vivência pessoal, mas também por meio de ensinamentos formais da escola e da emoção de um livro. Se houver alguma dificuldade de compreensão do livro, ela vai precisar de um adulto próximo para conversar. E aí, quem é que não está preparado para o tema?

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O que são contraceptivos hormonais?

| Corpo e saúde

DIU e Pílulas anticoncepcionais. Crédito: shutterstock

Além da camisinha, quais métodos contraceptivos são seguros para adolescentes? No post de hoje vamos falar sobre os métodos hormonais!

A pioneira desses métodos foi a pílula anticoncepcional. Existem muitas polêmicas sobre  sua utilização, principalmente, quando a usuária é uma adolescente: a garota pode ficar estéril? Usar a pílula engorda? É um remédio perigoso?

A pílula é um dos medicamentos mais pesquisados da história da Medicina. As pioneiras, comercializadas em maio de 1960, nos Estados Unidos, tinham uma dosagem hormonal muito alta e causavam diversos efeitos desagradáveis. Os níveis de estrogênio, especialmente, eram bastante elevados: em torno de 200 microgramas ou mais. Com o tempo, os cientistas conseguiram reduzir as taxas de hormônios, sem comprometer a eficácia do método. Resultado: as pílulas de última geração chegam a ter menos de 20 microgramas de estrogênio com uma margem de segurança de 99,9%.

A ideia de que a pílula engorda não é verdadeira, apesar de bastante difundida. Ela pode contribuir para o aumento na retenção de líquidos no corpo e dar a falsa impressão de engorda. Atualmente, existem no mercado dezenas de anticoncepcionais hormonais, com grande variedade de dosagens e combinações hormonais. Independentemente da escolha do método hormonal, não há nenhuma dificuldade para uma gravidez futura. Após a interrupção, a fertilidade é facilmente revertida.

No entanto, como estamos falando de medicamentos, eles também tem contraindicações. Os métodos hormonais estão relacionados, principalmente, ao risco de complicações vasculares, como a trombose e AVC (acidente vascular cerebral). Daí a importância de consultar um ginecologista antes de fazer a sua escolha. A indicação de um método contraceptivo pode variar de mulher para mulher, pois cada uma tem um histórico familiar e pessoal diferente.

Os métodos hormonais

Ao longo de minha experiência, percebi que a maior dificuldade das jovens em usar corretamente os métodos hormonais é o desconhecimento de seu mecanismo de ação  Na conversa com os alunos sobre o tema, a dica é priorizar a compreensão do seu funcionamento. . No caso dos hormonais, é preciso deixar claro que a principal função contraceptiva dele é impedir a ovulação.

Você pode explicar que isso acontece porque o contraceptivo hormonal “engana o cérebro”. Esses compostos são substitutos sintéticos ou bioidênticos dos hormônios que regulam o ciclo menstrual feminino, o estrogênio e a progesterona. A presença desses “covers” na circulação faz o cérebro acreditar que não há necessidade de mandar os ovários produzirem hormônios. E, sem essas substâncias naturais, o óvulo não amadurece, portanto, não há ovulação.

Desta forma, enquanto a garota usar algum método hormonal, não haverá óvulo nas trompas para os espermatozoides fecundarem.

Sugestão de trabalho com os alunos

Abra a conversa dizendo que A gravidez faz parte da natureza humana, não é “milagre!”. A partir da primeira ovulação, qualquer garota corre o risco de engravidar numa relação sexual, ou num “namoro” mais íntimo em que o garoto ejacule próximo à entrada da vagina, se ela estiver no período fértil. Mas ninguém deve e nem precisa correr este risco na adolescência! Afinal, essa é uma fase de descobertas, brincadeiras, festas, mas também de um grande desenvolvimento escolar e de preparação para realizar o sonho profissional. Portanto, nesse momento não cabem a maternidade e a paternidade!

1ª etapa

Aqueça os alunos para falar sobre os contraceptivos hormonais apresentando informações sobre seu funcionamento e utilização, conforme a tabela abaixo.

Método Uso

Pílula anticoncepcional. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan

Pílula

Ingestão de um comprimido por dia, todos os dias, até finalizar uma cartela. Quando iniciar a ingestão e o período de pausa entre as cartelas, dependerá do tipo de pílula recomendada pelo médico.
Método hormonal: injetável. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanInjetável Consiste em tomar uma injeção muscular uma vez por mês ou a cada 3 meses, de acordo com a indicação médica.
Adesivo contraceptivo. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanAdesivo hormonal O adesivo, que contém hormônios, deverá ser colado na pele, em qualquer local do corpo, menos nos seios ou próximo a eles. É trocado semanalmente e necessita de pausa de uma semana após três semanas de uso.
Anel vaginal. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan
Anel vaginal
É um anel plástico, flexível, que é encaixado no colo do útero, de onde libera uma pequena dose de hormônio. A colocação é caseira e o anel deverá permanecer no local por 21 dias. Após esse período, deve-se fazer uma pausa de 7 dias e um novo anel será utilizado.
Implante. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanImplante O implante é inserido debaixo da pele, na região do braço, por um médico. Durante três anos, vai liberar diariamente na corrente sanguínea as doses necessárias de hormônios para evitar a gravidez.
DIU hormonal. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan
DIU Hormonal
É um pequeno cilindro com hormônios que, ao ser colocado no útero, passa a liberar hormônios, gradativamente. A colocação é feita em consultório médico. A durabilidade deste método é de 5 anos e, durante o seu uso, a garota não menstrua.

2ª etapa

Divida seus alunos em 6 grupos, dê a eles uma numeração de 1 a 6, dispondo-os de forma circular.

Atividade em grupo

Entregue a cada um deles um tipo de método hormonal.  Em seguida, peça para que eles conversem entre si sobre o que sabem a respeito do contraceptivo que ficou ao encargo deles e construam 2 perguntas que gostariam que fosse esclarecidas nessa aula.

3ª etapa

Proponha uma versão adaptada da conhecida brincadeira “Verdade ou consequência?”. Use uma garrafa e coloque no centro da roda, entre todos os grupos. Depois ao sinal do professor, o grupo 1 deve girar a garrafa, e ao grupo para o qual o bico da garrafa apontar é perguntado: verdade ou consequência?

  • Caso o grupo escolha verdade eles devem responder a pergunta do grupo 1.  Cada resposta correta vale 2 pontos para o grupo que respondeu.
  • Caso o grupo escolha consequência. O grupo não ganha nem perde pontos. A pergunta é passada para o grupo seguinte, na direção horaria. O grupo que acertar ganha 2 pontos. Isso inclui o grupo que fez a pergunta.
  • Se nenhum grupo conseguir responder o professor responde para eles. Aí, é a vez do próximo grupo girar a garraga e assim sucessivamente, até que todos os grupos tenham conseguido fazer pelo menos 1 pergunta.

4a etapa

Faça um compartilhar pedindo para que contem o que aprenderam no jogo. Para finalizar, reforce que o método principal na vida dos adolescentes é o preservativo. Ele é único método que dá, ao menino, autonomia e controle para decidir quando ter um filho. Além disso, ainda protege o casal das DST/Aids.

Hoje a recomendação pelo Ministério da Saúde é que se aposte nessa parceria: a camisinha como método de prevenção à gravidez e às DST/Aids e o método hormonal como um reforço contraceptivo.


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Os riscos do coito interrompido

| Corpo e saúde, Sexualidade

Shutterstock

Um dos temas que não podem faltar na Educação Sexual são os métodos contraceptivos. Esse é um assunto que os jovens precisam conhecer para lidar com a vida sexual de maneira responsável. Falar sobre isso, em geral, é sempre muito tranquilo, principalmente quando utilizamos uma metodologia participativa. No entanto, quando chega a vez do coito interrompido, o barulho na sala é grande. E a questão é sempre a mesma: por que falar sobre esse método se ele não é indicado para adolescente?

Porque as pessoas usam! Um estudo americano revelou que até 60% das pessoas já usaram o método pelo menos uma vez na vida, embora seja um dos principais métodos associados ao risco de gravidez não planejada. O mesmo estudo avaliou que o uso do coito interrompido aumentar em até 75% o risco de uma garota engravidar comparado a casais que usaram outros métodos contraceptivos. A sua possibilidade de falha, mesmo quando utilizado corretamente, está em torno de 4%, enquanto a pílula anticoncepcional, por exemplo, é de 0,1%.

Só escolhemos um caminho, se estamos convencidos de que ele é o melhor. Por isso nossos alunos precisam aprender sobre esse método e o seu funcionamento para conhecer os riscos que estão correndo quando o elegem como estratégia para driblar o risco de engravidar e, assim, tomarem uma decisão consciente.

O método do coito interrompido
O coito interrompido é a prática de retirar o pênis da vagina momentos antes da ejaculação, para evitar a gravidez. É uma prática antiga, talvez o método contraceptivo mais antigo de que temos notícias. Para vocês terem uma ideia, o Velho Testamento já fazia menção a ele. Muito utilizada por jovens e adultos por sua praticidade, já que não necessita de uma consulta ao médico ou de uma “exposição para estranhos” na farmácia: ele pode ser usado a qualquer momento, sem custo nenhum.

O coito interrompido é considerado, sim, um método contraceptivo. Para ocorrer a gravidez é necessário que a ejaculação aconteça dentro ou próxima à entrada da vagina porque é secreção vaginal o conduz até as trompas. Logo, se a ejaculação ocorrer distante da vagina, a gravidez não acontece. Este método parece ser uma maravilha quando não são levadas em consideração algumas questões. E são exatamente essas questões que podemos trazer para os nossos alunos durante uma aula sobre métodos contraceptivos.

A conversa com o aluno
Explique para os alunos que o maior problema do coito interrompido é o controle da ejaculação. Retirar o pênis da vagina, justamente no momento em que a excitação está alta e prestes a levar o garoto ao orgasmo, não é uma tarefa fácil, muito menos na adolescência! Isso exige um autoconhecimento e muita disciplina, o que é difícil neste período da vida. Em geral, quando o garoto se dá conta de que precisa tirar o pênis, a ejaculação já aconteceu ou está acontecendo. E aí será tarde demais para evitar a gravidez, porque alguns espermatozoides já foram expelidos segundos antes da retirada completa do pênis.

A prática do coito interrompido também não evita o contágio de doenças sexualmente transmissíveis. O contato do pênis com a parede da vagina é o suficiente para a transmissão das DST, inclusive a Aids. Durante a relação sexual podem ocorrer microscópicas lesões nas paredes do pênis e da vagina que possibilitam a infecção, caso um dos parceiros esteja infectado.

As falhas deste método não param por aí! Faça os alunos refletirem sobre a qualidade da relação sexual, se em vez de haver um momento de entrega e desprendimento, eles só ficarem preocupados em controlar a ejaculação. O controle ejaculatório, a tensão de estar correndo risco de enfrentar uma gravidez e a sensação de ter a ejaculação e/ou orgasmo interrompidos durante a transa podem causar uma frustração sexual no casal, e em alguns casos, levar a problemas futuros de disfunção erétil e/ou ejaculatória.

Por fim, o educador pode concluir com a ajuda deles que as aparências enganam. O que parecia ser um método prático e fantástico, na realidade, se torna muito complicado, além de arriscado.

Esse é um tema que você já abordou com seus alunos? Compartilhe no Blog sua experiência.


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Ficar e namorar: o que isso significa?

| Sexualidade

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“Ai, como é difícil entender essa juventude! Eles não querem mais saber de namoro, só pensam em ficar…”. Essa é uma frase comum nos meus treinamentos com os professores quando começamos a abordar o tema relacionamento afetivo e sexual na adolescência. Mas difíceis, na verdade, são os adultos!

Nós temos muita dificuldade de sair da nossa zona de conforto para buscar entender as circunstâncias que levam o jovem de hoje a experimentar um relacionamento afetivo e sexual de forma diferente daquela que vivemos ou que não estão previstas nos nossos conceitos de amar, se apaixonar. Quando ouço comentários como o que abre este post, minha resposta é sempre a mesma: acredito que a gente pode estar enganado. Eles querem, sim, namorar. Mas para isso precisam respeitar o seu tempo e o seu amadurecimento.

No início da adolescência, ninguém é capaz de ter uma relação sexual ou um envolvimento duradouro de pronto! O jovem passa por um processo de aprendizagem do seu papel sexual até estar preparado para se relacionar com alguém. É fundamental que qualquer educador que resolva conversar sobre sexualidade com adolescentes saiba e compreenda como se dá esse desenvolvimento afetivo-sexual. É por isso que abordo o assunto em todos os treinamentos que realizo.

Por que eles ficam e não namoram?
A chegada do ficar bagunçou muito a nossa referência de relacionamento. Para muita gente ele ainda soa como uma prática que precisa ser combatida. Mas não é bem assim. Trata-se de uma prática necessária ao desenvolvimento psicossexual dos jovens, que os prepara para aprender a lidar com o outro.

Além disso, os atuais conceitos de masculinidade e feminilidade privilegiam a conduta sexual dos jovens. Portanto, ser homem não é mais “fingir” que sabe tudo de sexo e se dedicar a ser um bom provedor. O homem também deve agradar sexualmente e o garoto é valorizado quando “tem pegada”.

Ser mulher não é mais apenas ser capaz de cuidar de filhos e de uma casa. A mulher também é sensual e a garota é apreciada na sua desenvoltura com as carícias sexuais, como no mínimo saber beijar.

É no ficar que eles treinam tudo isso. É também nele que têm a oportunidade de fazer só o que dão conta e ousam a experimentar, gradativamente, as práticas sexuais de acordo com a maturidade e vivência de cada um. Eles aprendem a beijar e a trocar carícias, mas também a seduzir, conversar, dar atenção, negociar, perceber o outro… até que se sintam seguros para viver isso de forma mais intensa, íntima e com compromisso – o namorar.

Todos querem namorar, principalmente as meninas, como bem diz a música do Luiz Gonzaga, o Xote das Meninas:

“Mandacaru quando fulora da seca
é sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjoa da boneca
é sinal que o amor já chegou no coração…
Ela só quer, só pensa em namorar…”

O que acontece hoje é que “enjoar da boneca” não é mais uma referência para se sentir pronta para encarar um namoro, mas para estabelecer outras relações. Quando se namora a convivência é grande… É preciso se ter uma certa desenvoltura com relação ao seu papel sexual, se sentir em condições de lidar afetiva e sexualmente com alguém. Além disso, também é importante perceber certas afinidades, como gostar de determinada atividade esportiva, de estudar, de tipo de diversão ou interesse de projeto de vida. Tanto em meninas quanto em meninos, essa fase chega mais tarde, depois do “ficar”.

Ao conversar com os alunos, é importante ter em mente esses aspectos. Não podemos instruí-los e ajudá-los se não compreendermos como eles costumam se relacionar. Mais informações sobre o processo de desenvolvimento afetivo e sexual estão disponíveis na aula 4 do projeto Quebra Tabu, desenvolvido pelo Instituto Kaplan.

Compartilhe aqui nos comentários suas percepções e dúvidas sobre as maneiras como os adolescentes se relacionam hoje!

Dica para os moradores de São Paulo
Na próxima semana, o Instituto Kaplan organiza uma exposição chamada “Por Dentro da Camisinha”. O evento acontece nos dias 24 e 25 de setembro, no Ibirapuera, e pode ser uma boa oportunidade para seus alunos conhecerem e discutirem sobre esse método de prevenção. Mais informações no link: http://www.kaplan.org.br/institucional/sec/exposicao-por-dentro-da-camisinha.


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A vacinação contra HPV é segura?

| Corpo e saúde, Família, Sexualidade

Crédito: Shutterstock

Eu fiquei muito preocupada quando ouvi a notícia sobre as alunas da escola de Bertioga que foram internadas no hospital por causa de sintomas como a perda de movimentos e sensibilidade das pernas causados, supostamente, pela vacina contra o HPV.

Para quem ainda não sabe, desde março, a vacina contra o HPV passou a ser distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas entre 11 e 13 anos e a segunda fase da campanha começou no dia 1o de setembro. Obviamente, minha primeira reação ao saber do acontecido foi querer saber sobre as meninas.   Mas, depois,  o impacto que uma notícia como essa pode causar na população ocupou os meus pensamentos como educadora sexual. Fui saber o que as pessoas estavam pensando.

Não deu outra! Como diz o ditado, notícia ruim chega logo. São inúmeros os sites, blogs e canais de notícias que divulgaram o acontecido, e os comentários são exatamente aqueles que eu suspeitava: “e agora, devo vacinar minha filha?”

As escolas serão bastante questionadas por muitos pais até que se esclareça de fato o que aconteceu com a essas garotas. Procurei me assessorar com médicos ginecologistas, neurologistas e imunologistas, e todos foram unânimes: não há nenhum motivo para pânico ou medo de vacinar as meninas.

Segundo a Folha de S. Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde está acompanhando de perto os casos das 11 jovens e já descartou qualquer problema com o lote de vacinas utilizado em Bertioga. De acordo com a responsável pelo setor de Imunizações da Secretaria, Helena Sato, a vacinação contra o HPV vai continuar em todo o estado. Ela disse que não há nenhuma associação dos sintomas apresentados pelas adolescentes de Bertioga com a aplicação da vacina, uma vez que o mesmo lote, composto por 320 mil doses, vem sendo aplicado desde o início do mês em estudantes de todo o estado de São Paulo.

O suporte do educador

Quando se fala na prevenção de doenças como hipertensão ou diabetes, as pessoas conversam, buscam informações, trocam receitas de comidas saudáveis, dão dicas de formas de se exercitarem etc. Mas quando a doença está ligada ao sexo, geralmente não há diálogo, há julgamento. A vacinação gratuita contra HPV é uma grande conquista e é triste vê-la posta em risco.

A aids, por exemplo, foi descoberta nos anos 80 e até hoje há quem julgue que ensinar os jovens a se prevenir contra essa doença incurável é incentivá-los a ter relações sexuais. Isso é negar o benefício da informação. O conhecimento é uma das maiores virtudes para evitar os riscos a que todos nós estamos sujeitos na vida sexual. Ah! Como eu ficarei feliz no dia em que me defrontar com amigos trocando receitas de como colocar a camisinha de um jeito mais prazeroso ou dando dicas de práticas sexuais que evitam a possibilidade de infecção… Imaginem que atitude saudável a família dar camisinhas de lembrancinha do aniversário!!! Uma verdadeira festa para os meus olhos!

A vacina contra o HPV está por um triz de cair no conceito popular como algo nocivo. Nós, educadores, temos a obrigação de não deixar que isso aconteça! Como disse, a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano) foi uma grande conquista para a prevenção dessa doença, que é uma das principais responsáveis pelos casos de câncer de colo do útero, um tumor frequente na população feminina e a segunda causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Conseguimos incluir a vacina no calendário nacional de imunizações, mas é preciso continuar falando sobre ela. Não ignore o assunto em sua escola, ao contrário! Converse com os pais e com seus alunos. Traga o tema à tona, perguntando suas opiniões e esclarecendo as dúvidas que aparecerem.

Em outros posts desse blog, trago informações sobre a vacina e formas de abordá-la em sala de aula e com os pais. Dê uma olhada! Eles podem lhe ajudar a introduzir e trabalhar o tema em sua escola:

Vacina contra o HPV: Mais um aliado no combate às DSTs

Quer que suas alunas se vacinem contra o HPV? Envolva pais e escola

 A vacina do HPV: proposta de abordagem com os alunos

Como educadores, é nosso papel tranquilizar os pais e as alunas sobre a vacinação!

Conte aqui no Blog Direto ao Ponto sobre a aceitação da vacina em sua escola.

 

 


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Quando nossos alunos precisam ir ao ginecologista ou urologista?

| Corpo e saúde, Sexualidade

Fotos Shutterstock / Montagem Jacqueline Hamine

Durante a puberdade o desenvolvimento do corpo acontece em momentos e ritmos diferentes para cada adolescente. Tudo isso pode abalar a autoestima de nossos alunos e gerar dúvidas, angústia, timidez, insegurança, agressividade e até falta de concentração durante as aulas.

Imagine uma garota cujos seios parecem estar crescendo e, de repente, o inchaço desaparece… Ou a única menina da turma que ainda não menstruou… Dá para prestarem atenção à aula de geografia, sem saber se o que acontece com elas é normal? E um garoto que tem dúvidas quanto ao tamanho e formato do pênis, se precisa de cirurgia de fimose, o que fazer com o freio curto… Dá para se concentrar no problema de matemática?

Mil dúvidas sobre o corpo

O organismo da mulher é muito complexo. Num único mês, uma garota produz diferentes tipos de hormônios, que interferem em seu desenvolvimento físico, no humor e até nas atitudes.  Ela passa por uma série de desconfortos como cólicas menstruais e ainda sofre com incertezas, sem saber se sua men struação é adequada ou se uma possível secreção vaginal está indicando que algo está errado.

Para o homem, falar, pensar e fazer sexo sempre foram consideradas atividades do cotidiano masculino. Mas a ele nunca foi dado o direito de ter dúvidas, de tomar alguns cuidados, de aprender sobre seu corpo, e, principalmente, de respeitar as etapas de seu desenvolvimento. Quando, por algum motivo, desconfia que algo possa estar diferente em seus genitais, ele sofre muito. Ainda mais quando não tem coragem de pedir ajuda ou não sabe como e onde buscá-la.

Já não era sem tempo trazer esse assunto para a sala de aula. A visita ao ginecologista para as meninas e ao urologista/andrologista, no caso dos meninos, é fundamental para ensinar o adolescente a cuidar de seu corpo, acompanhar o seu desenvolvimento físico, esclarecer as dúvidas e indicar tratamentos, quando necessário. Tanto que o estatuto do adolescente estabelece o direito de fazer a consulta sem necessitar de autorização ou acompanhamento dos pais.

A visita ao ginecologista

É preciso acabar com o mito de que a primeira consulta com o ginecologista deve ocorrer quando a garota já teve sua primeira relação sexual. Isso criou um estigma para a menina, que tem receio de procurar uma consulta médica, porque a mãe ainda não sabe que está transando ou, pior, porque a mãe pode imaginar erroneamente que a filha está transando e brigar com ela.

Informe para os pais e suas alunas que a consulta ao ginecologista pode ocorrer a partir do momento em que a garota entra na puberdade, para avaliar se o crescimento e desenvolvimento estão ocorrendo no ritmo esperado e também para esclarecer as dúvidas a respeito desse momento.

Quando uma garota está planejando ter sua primeira relação sexual ou já está transando, a consulta com o ginecologista torna-se imprescindível. Principalmente para o controle das DST/Aids e indicação do método contraceptivo. Ressalte para as meninas que uma garota é diferente da outra e, portanto, o método adequado para uma pode não ser para a outra.

A visita ao ginecologista deve acontecer sempre que se percebe algum problema nos seios e genitais, ou a cada seis meses, para exames de rotina, como o de Papanicolau (que previne o câncer de colo de útero) e o exame de mamas.

A visita ao Uro/Andrologista

Andrologista, em outras palavras, é o ginecologista dos homens. Com os meninos o tabu é ainda maior – acredita-se que um homem só deve consultar o uro/andrologista depois dos 40 anos ou quando está com alguma suspeita de doença. Os garotos também devem adquirir o hábito de consultar seu médico para tirar dúvidas, ganhar confiança e cuidar de seus genitais.

A consulta ao uro/andrologista também é importante para fazer o diagnóstico precoce de algumas doenças. Embora raro, o câncer de testículo é o segundo tipo de câncer que mais aparece na adolescência e, quando detectado no início, pode ser curado. Além disso, existe um tipo de variz que pode surgir nos testículos, chamado de varicocele, que atinge 20% da população masculina, e 40% dos homens com este problema podem se tornar estéreis, caso o tratamento não seja realizado. Por fim, existem as doenças sexualmente transmissíveis, com seus agravos e sequelas para a vida sexual e reprodutiva do homem.

Embora o acesso a médicos pela maioria de nossos adolescentes ainda seja muito precário, não podemos nos acomodar negando a eles o direito de saber e usar os recursos de sua comunidade. Identifique a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou Posto de Saúde mais próximo da escola para informá-los.

Além disso, você pode favorecer a aproximação deles com o serviço de saúde convidando um profissional desse estabelecimento para fazer uma palestra ou uma conversa com seus alunos sobre o atendimento. Aproveite a vinda do profissional para antes problematizar com eles sobre esse tema. Isso pode ser um bom aquecimento para a palestra.

Compartilhe com a gente a sua experiência!


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Orgasmo feminino como motivação para a prevenção

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Em um treinamento para educadores sobre o trabalho de prevenção de gravidez e DST/Aids indiquei este blog e sugeri o post da semana passada, sobre ejaculação precoce, para ampliar a motivação dos jovens nas ações de prevenção, e que daria continuidade, falando do orgasmo feminino.

Foi um auê… Uns acharam muito interessante, mas percebi que outros ficaram incomodados… Até que uma professora me questionou:
– O que a prevenção tem a ver com o orgasmo feminino?

Respondi: – A prevenção em si, nada. Mas o orgasmo feminino tem tudo a ver com a prevenção! Se o casal não estiver se prevenindo, o medo de engravidar ou contrair uma DST/Aids pode tirar a concentração nas carícias e impedir que o orgasmo aconteça.

Outro professor em seguida retrucou: –Meu papel não é ensinar minhas alunas a sentir orgasmo. Continuei: – Pode ser, mas nosso papel é estimular a prevenção! Se abordarmos esse tema, as meninas e os meninos podem passar a olhar a prevenção com outros olhos, como algo diretamente ligado aos seus interesses no relacionamento sexual. Isso pode ser um elemento de motivação.

O conhecimento sobre o corpo 

A conquista do direito ao prazer pela mulher ainda é muito recente, mas já foi absorvido, principalmente pelos jovens. No entanto, para exercê-lo, é preciso conhecer melhor o próprio corpo.  E para isso , um bom momento é a aula sobre as funções do corpo reprodutivo.

É muito importante que os adolescentes saibam o que acontece quando uma garota recebe um estímulo sexual, que desperta o desejo.  O sangue, que pode invadir o rosto e a deixar roborizada, se espalha intensamente por todo o corpo. Os genitais recebem maior fluxo sanguíneo e respondem com a excitação.  A vulva, órgão genital externo da mulher, começa a sofrer modificações que irão prepará-la para a relação sexual. Os grandes lábios, situados bem à vista, afinam-se e ficam entreabertos. Os pequenos lábios, localizados mais internamente, aumentam de tamanho e se projetam para fora, assumindo uma cor mais avermelhada.

O clitóris, espécie de botão existente pouco acima do local onde os pequenos lábios se unem, fica mais sensível ao toque, capaz de provocar um grande prazer ao ser estimulado.  Logo abaixo está o canal da uretra, por onde a mulher urina, e descendo um pouco mais surge um outro orifício. Esta é a entrada da vagina, um canal formado por músculos, que liga as partes interna e externa do aparelho genital feminino.

A vagina começa a produzir uma secreção que irá lubrificá-la, com o objetivo de facilitar a penetração do pênis. Seu comprimento normal varia de 7 a 10 cm, mas durante a excitação ela pode se distender, adaptando-se aos mais diferentes tamanhos de pênis. Nas mulheres que nunca tiveram uma relação sexual, existe ali uma membrana, o hímen, a qual não foi atribuída, até o momento, nenhuma função fisiológica.

O orgasmo feminino

Para a mulher atingir a excitação máxima, e consequentemente, o orgasmo, ela precisa de uma excitação crescente e uma lubrificação adequada. O alto grau de excitação provoca contrações rítmicas que se iniciam ao redor da entrada da vagina e se expandem por toda a região pélvica. Dessas contrações advém uma sensação rápida, porém intensa, de prazer, relacionada à liberação de certas substâncias químicas no cérebro, as endorfinas, que proporcionam a sensação de bem-estar.

Ao contrário do homem, a maioria das mulheres não possui um sinal visível de ter atingido o orgasmo. Manifesta apenas reações como aumento da transpiração, batimentos cardíacos acelerados, respiração mais rápida, gemidos e contrações musculares, seguidas de relaxamento.

Além disso, o fato de uma mulher ter orgasmo não aumenta nem diminui as chances de uma gravidez. Se ela tiver uma relação sexual durante o seu período fértil e não tomar nenhuma medida contraceptiva, pode engravidar, ainda que não sinta qualquer prazer.

Como falar de prazer e prevenção

Sugiro usar a mesma pergunta da professora que me questionou e problematiza-la com seus alunos… Depois que der as explicações do aparelho reprodutor, você pode lançar a pergunta “O que a prevenção tem a ver com o orgasmo feminino?” Em seguida, peça para que eles escolham colegas com quem gostariam de conversar sobre o tema e formem grupos. Uma vez formados, peça que façam uma pesquisa para apresentar na próxima aula.

Durante a apresentação dos alunos, anote na lousa as informações que tenham a ver com a resposta da pergunta. Provavelmente, os alunos irão associar a prevenção a um fator de inibição do desejo, e não o contrário. Ao final das apresentações, destaque se algum grupo tiver mostrado a importância da prevenção relacionada ao desprendimento e à entrega do casal ao sexo.  Faça uma breve explicação sobre o impacto que o estímulo sexual provoca no organismo da garota e as condições necessárias para que ela alcance o orgasmo.

Nesse momento, enfatize a importância da prevenção para se chegar ao orgasmo. Mostre por meio do gráfico abaixo, que o envolvimento com as carícias recebidas é fundamental para que o orgasmo aconteça.

Blog Ciência do Estudo da Mulher

Fonte: Blog Ciência do Estudo da Mulher

Para tanto, é imprescindível que a mulher se entregue às sensações. Se alguma preocupação externa acontecer durante o ato sexual, como por exemplo o medo de ficar grávida ou pegar uma DST/Aids, a concentração e a excitação são interrompidas, diminuindo a intensidade das sensações sexuais e da lubrificação.  Resultado: a penetração pode se tornar desprazerosa ou até dolorosa e o orgasmo não acontece!

Você pode fechar a conversa questionando se vale a pena colocar em jogo o prazer sexual por causa do sexo sem proteção? A minha experiência diz que a maioria vai responder “não”. E aí surge um outro bom momento para trabalhar a prevenção em sexualidade com seus alunos.

Experimente e compartilhe aqui no blog a sua experiência!


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A aprendizagem do controle da ejaculação

| Corpo e saúde, Sexualidade
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Trabalhar a ejaculação precoce com a turma também é uma estratégia para prevenção de gravidez e DSTs, pois permite aos alunos lidar de forma mais saudável com o sexo

Outro dia uma professora me confidenciou o seu desânimo com o trabalho de prevenção de DST/Aids na escola. Ela me disse, muito triste, que teve vontade de desistir quando um aluno lhe contou que, quando vai transar, a vontade de ejacular chega tão rápido que nem dá tempo de pensar em colocar a camisinha.

Na hora, eu me lembrei do quanto já vivi esse tipo de frustração ao longo da minha carreira como educadora sexual. De fato, por mais que a nossa aula promova o conhecimento sobre a importância da prevenção e ensine nossos alunos sobre as doenças sexualmente transmissíveis, suas formas de contágio e como colocar corretamente a camisinha, nem sempre isso é suficiente para que eles tenham uma postura responsável com relação a sua sexualidade. Há muitos fatores que podem interferir nesta conduta, como a ejaculação precoce. No entanto isso não pode ser um motivo para desistir desse trabalho.

Eu respondi a ela que a estratégia que transformou o meu desânimo em encanto por meu trabalho foi inserir na educação sexual temas que possam neutralizar fatores de vulnerabilidade dos jovens. Se uma das dificuldades de usar a camisinha é o controle da ejaculação, eu procuro trabalhar esse tema como uma nova forma de tocar os jovens para a prevenção de gravidez e DST/Aids. Por mais que o uso da camisinha seja recomendado desde o início da relação sexual e não somente quando o homem sente que vai ejacular, é importante trabalhar o tema da ejaculação precoce com os alunos, sempre reiterando que o uso da camisinha é fundamental, independentemente de qualquer coisa.

A relação sexual é o ato no qual a prevenção precisa acontecer. Entretanto, isso pode gerar insegurança e, consequentemente, ansiedade que, por sua vez, é a principal causa de ejaculação precoce. Esse é um fator, portanto, que o professor pode ajudar a eliminar se levar para a sala de aula esses temas, como a ejaculação e orgasmo masculino.

Isso pode ajudar tanto os meninos como as meninas a compreenderem melhor o processo e o funcionamento do corpo do garoto durante o ato sexual, além de ser um bom momento para ensinar a eles como podem controlar a ejaculação. Mais confiantes, poderão então abrir espaço mental para se concentrarem no uso da camisinha.

A ejaculação e o orgasmo masculino

Embora a ejaculação e o orgasmo sejam controlados por sistemas neurológicos diferentes (parassimpático e simpático, respectivamente), é comum que eles aconteçam ao mesmo tempo. É por isso que para muita gente, o sinal de que o homem teve orgasmo é a ejaculação. Isso é tão difundido que o sêmen é também chamado de gozo.

Um bom momento para falar na sala de aula da ejaculação e do orgasmo masculino é durante a aula sobre o aparelho reprodutor masculino. Depois de explicar sobre o funcionamento dos órgãos sexuais, o professor pode abrir um roda de conversa e perguntar para os alunos como se faz para que esses órgãos entrem em ação e cumpram a sua função reprodutiva? Quando eles responderem – receber estímulo sexual – Dê continuidade ao debate, voltando a questionar se sabem como ocorre a ejaculação.

Para dar essa explicação, faça com os alunos um levantamento sobre alguns estímulos sexuais que eles conhecem e em seguida explique que eles causam uma reação no corpo provocando a excitação, que é  responsável por ativar o processo ejaculatório. É muito importante que eles saibam que a ejaculação tem dois momentos. O primeiro vai do início da excitação até a fase de emissão, quando se dá a contração dos órgãos reprodutores internos: canal deferente, próstata, vesículas seminais. Eles lançam o sêmen no início da uretra. Este momento é chamado de inevitabilidade ejaculatória: o pênis está ereto e o sistema nervoso se encarrega de reter e acumular o sêmen na entrada da uretra. Imediatamente após, o homem entra na segunda fase, que é a ejaculação propriamente dita: consiste numa série de contração ritmadas da uretra e musculatura da base do pênis, que provocam a expulsão do sêmen pelo canal uretral.

Como controlar a ejaculação?

A ejaculação é um tipo de reflexo que pode ser controlado, de uma forma muito parecida com o controle do ato de urinar. Quando criança, as pessoas aprendem a identificar quando sua bexiga está cheia e os dois momentos que antecedem à eliminação da urina: aquele em que “dá para segurar” e o outro, quando a urina chega a um ponto em que é inevitável a sua saída. Na adolescência, quando o garoto começa a ejacular, ele precisa treinar segurar a saída do sêmen durante o tempo que ele julgar ser mais prazeroso. O segredo é desenvolver a capacidade de perceber que está a ponto de ejacular.

Basicamente, essa aprendizagem acontece por meio do treino do garoto em perceber as sensações e saber identificar o ponto da sua excitação, que antecede o momento da inevitabilidade ejaculatória. A aproximação deste momento é descrito pelos homens como uma sensação de que o pênis “está cheio” e desejoso de ser empurrado para frente para liberar a ejaculação. Diga aos alunos que a excitação sexual do homem pode ser controlada por ele até exatamente este ponto. Se ele não deseja ou não deve ejacular neste momento, a alternativa é interromper por alguns segundos a estimulação sexual direta, aquela que toca no corpo dele, principalmente no pênis ou em outro local muito sensível.

Se ele continuar a ser acariciado, a excitação vai aumentar ainda mais e, independente de sua vontade, o gatilho da ejaculação é acionado. Ele passa a ter as contrações que vão pressionar o pênis e a uretra e, então, expulsar o sêmen em jatos. Este movimento gera a ejaculação e provoca uma sensação sexual muito intensa levando o garoto ao orgasmo.

Para saber mais sobre ejaculação e outras formas de aprendizagem de seu controle acesse o meu artigo “O controle da ejaculação começa nas primeiras práticas sexuais”.

Vamos começar a falar sobre resposta sexual com os alunos? Em outro post, vamos falar sobre a mulher e aprofundar mais esse assunto .


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