Como falar sobre masturbação com a turma?

| Sexualidade

Com a facilidade de adquirir qualquer tipo de informação na internet, pode passar pela cabeça do educador que falar sobre masturbação com os jovens é supérfluo.

A masturbação é uma atividade fundamental na adolescência, inclusive, para a satisfação sexual na vida adulta. Porém, essa não é uma prática exclusiva dos jovens. A masturbação está ao alcance de todos – homens e mulheres de qualquer idade.

No entanto, essa forma abrangente de encarar a masturbação é relativamente nova, de meados do século 20. Até então, ela estava associada ao pecado, doenças e anomalias. Ainda hoje, apesar de todo o conhecimento científico divulgado, os fantasmas da culpa e do medo atormentam o prazer sexual e a vida de muitos jovens.

Fantasmas masculinos
Outro dia um jovem me contou que seu pior ano no colégio foi a 7a série por que ele tinha muitas dúvidas sobre seu corpo e não tinha quem o pudesse ajudar. A ansiedade pela chegada da ejaculação tirava toda sua concentração nas aulas. Em casa, sempre que dava, o garoto corria para o banheiro e lá ficava um bom tempo exercitando a masturbação. Ele achava que, quanto mais se masturbasse, menos iria demorar para a ejaculação acontecer. Mas a ejaculação, como era de se esperar, não acontecia, pois lhe faltava maturidade física.

Para piorar a situação, sua mãe logo suspeitou de suas constantes visitas ao banheiro.  E, mais do que depressa, lançou mão de uma das pérolas sobre masturbação: “sabia que a masturbação causa cegueira?”.

O garoto, em sua ingenuidade, se assustou com a informação. E quando alguns meses depois, por outro motivo, precisou usar óculos, ficou apavorado! O mito acabava de ser confirmado – para ele, a cegueira já estava ali.

Proibições femininas
Até bem pouco tempo, sexo era assunto para homens. A mulher não podia deixar que descobrissem que ela pensava ou desejava fazer sexo. Ela poderia passar a ser vista como um perigo, uma influência negativa para as amigas. Enquanto a masturbação era algo relativamente admissível para os meninos, para as meninas era praticamente impensável falar sobre o assunto. A masturbação feminina era considerada uma perversão, e a mulher que a praticasse era taxada de lasciva e promíscua.

Como e quando falar de masturbação na sala de aula
É muito importante que o professor esteja atento aos medos e mitos que os adolescentes podem ter sobre a prática. Uma boa hora para falar desse assunto é durante a aula sobre puberdade, na disciplina de Ciências. O tema é abordado, em geral, com os alunos do 7º ano. Entre as explicações sobre as mudanças que ocorrem nos corpos de meninos e meninas, é possível ajudá-los a compreender que a masturbação não acelera o ritmo de desenvolvimento físico, mas também não causa mal algum, ao contrário.

Quando chega a puberdade, a produção dos hormônios sexuais promove no adolescente uma tensão sexual muito forte. Tudo é motivo de excitação! Um olhar, uma barriga de fora, um corpo sarado, e até situações ingênuas (como ver a alça de um sutiã ou uma parte da cueca) podem provocar o desejo sexual. E, atualmente, há ainda o acesso a cenas eróticas na internet e na mídia em geral.

A masturbação é uma prática sexual que, além de poder ser praticada sozinho, ajuda os adolescentes a descobrirem o próprio corpo e suas áreas de prazer. Isso só passa a ser um problema se a pessoa deixa de fazer outras coisas.

Outro momento importante para esclarecer dúvidas sobre esse assunto é na aula de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis. A masturbação é o momento ideal para treinar a colocação da camisinha, por exemplo, pois o garoto está sozinho, sem sofrer nenhum tipo de pressão.

Essa conversa pode ser muito rica e descontraída quando a gente utiliza uma metodologia lúdica e participativa. Para isso, sugiro a Dinâmica dos BalõesMasturbação que está publicada no livro de dinâmicas do material educativo Jogo de Corpo, do Instituto Kaplan, e que pode ser baixada gratuitamente neste link.

E aí, já conversou sobre masturbação com sua turma? Quais são as dúvidas mais frequentes trazidas por eles? E as suas? Compartilhe com a gente nos comentários.


TAGS: , ,

Deixe um comentário

Professora, como faço para beijar na boca?

| Sexualidade

Linda Marie / Flickr - CC

Ufa, depois do sufoco com os últimos temas, que levantaram tantas polêmicas, agora um assunto gostoso: beijo na boca.

O beijo é uma carícia tão importante que tem até um dia internacional para sua comemoração, 13 de abril. Por isso, aproveitei esta data para a gente conversar um pouco sobre este gesto aparentemente simples, mas que ganha outros significados na adolescência, capaz de tirar a concentração nos estudos de qualquer aluno que está prestes a deixar de ser BV (Boca virgem).

Uma das minhas atividades profissionais mais gratificantes foi responder a perguntas de jovens por e-mail ou telefone. Eu adorava! Fiz isso por muito tempo  em dois serviços orientação sexual a distância, um do Instituto Kaplan, o Sosex, e outro em um colégio da capital paulista, o SEXTIPS.

Os jovens eram tão francos quando preservados pelo anonimato que eu me emocionava ao ajudá-los em situações que muitas vezes poderiam parecer banais aos olhos dos adultos, mas que para eles, que estão começando a vida, ainda são uma incógnita.

Olhem só esta pergunta:

“Estou prestes a dar meu primeiro beijo e não sei como fazer. Gostaria que você me ensinasse mais ou menos o procedimento, para que eu não passe vergonha”.

Dá até para a gente visualizar a carinha de medo e insegurança!

Ninguém nasce sabendo beijar. Pode-se até ter uma ideia de como agir observando casais se beijarem em filmes e peças de teatros, mas essa é uma das coisas da vida que, como tantas outras, só aprendemos mesmo quando fazemos. No entanto, existem algumas dicas valiosas que podem evitar alguns constrangimentos e deixar o jovem mais confiante.

O papel do beijo na Educação sexual
Sei que uma coisa é o meu papel como especialista em um serviço voltado para responder a perguntas sobre sexualidade para jovens e adolescentes, outra o papel desempenhado por professores que se dispõem a levar a Educação sexual para a sala de aula. É  pouco provável que um aluno se arrisque a fazer uma pergunta como essa na frente de toda a turma. Mas isso não é impossível e não diminui a importância de conversar sobre o beijo com a turma.

Conversa em particular
Quando o professor desenvolve um vínculo de confiança com seus alunos, ele é bastante solicitado para conversas em particular, sobre os medos e inseguranças dos jovens. Portanto, a pergunta do título pode chegar a vocês. Nesse caso, não desconverse e nem minimize a importância do que o jovem está sentindo e perguntando.

Procure saber do que ele teria vergonha. O que o preocupa de verdade? Aproveite a conversa para perceber o que ele já sabe sobre o beijo e para preencher eventuais  lacunas de informação. Se ele quiser dicas mais específicas do passo a passo de um beijo, indique leituras disponíveis em sites para adolescentes (confira uma exemplo aqui). Lembre-se, contudo, de se assegurar da confiabilidade das fontes de pesquisa.  Você pode ler junto com ele ou apenas indicar a leitura e se colocar à disposição para esclarecer alguma dúvida.

Na sala de aula
Na sala deaula, esta pergunta pode aparecer em forma de brincadeira, para constranger o professor, ou como um ato sério de quem de fato precisa de sua ajuda.

No primeiro caso, ela costuma surgir fora do contexto e o melhor que o professor pode fazer é dizer que, ao finalizar a aula, ele pode ter uma conversa em particular com o aluno para esclarecer suas dúvidas. Se neste momento a turma se apresentar interessada no assunto, o professor pode – se se sentir preparado para isso –  interromper o que estava falando e abrir uma roda de conversa sobre o assunto.

No 6o e 7o anos, esse tema pode servir de impulso para falar da importância dos cuidados cuidados com higiene pessoal, como lidar com a pressão do grupo, o direito de escolha e o respeito ao tempo de desenvolvimento de cada um. Tudo isso é fundamental para desenvolver a autonomia, a autoconfiança e a autoestima do alunos – fatores importantes para diminuir a vulnerabilidade dos jovens às DST/Aids e gravidez.

Nas turmas de 8o e 9o anos, momento em que a adolescência está a todo vapor e, em sua maioria, ninguém é mais BV, esse assunto pode ser uma excelente opção para abrir as temáticas de prevenção, principalmente a negociação da camisinha. O uso de preservativo ainda encontra pouca adesão por parte dos casais de namorados. E uma coisa que eles precisam perceber é que entre beijos e carícias fica difícil falar de prevenção.

O beijo é uma carícia constante nos encontros amorosos e, portanto, um dos principais estímulos sexuais. Quando acontece o boca com boca, língua na língua vem uma avalanche de sentimentos e reações. Portanto, o beijo na boca pode ser um bom mote para os jovens aprenderem a ter uma postura ativa nas relações, evitando ao máximo situações de vulnerabilidade.

E você, já teve que responder alguma pergunta capciosa de algum aluno?



TAGS: ,

Deixe um comentário

Garoto quer usar o banheiro feminino. E agora?

| Sexualidade

Cena do filme Tomboy (2011), de Céline Sciamma, que retrata a vida de uma garota que se vê como um menino. Foto: divulgação

No ano passado, o caso do menino norte-americano Coy Mathis, de 6 anos, ganhou destaque na imprensa internacional (veja aqui). Os pais estavam processando a escola por impedir que o garoto utilizasse o banheiro das meninas. Coy se identifica como menina e é aceito pelos pais, mas isso gerou um problema para a escola. Esse fato me faz pensar se estamos preparados para lidar com essa questão em nossas escolas.

Desde muito pequena, antes mesmo de a criança perceber que existem o sexo masculino e o feminino, ela começa a apresentar interesse em atividades, e depois em comportamentos, do sexo oposto. Nessa idade – 6 anos – ainda não dá para falar se a criança será um transexual no futuro.

Segundo o psicólogo e psicanalista Rafael Cossi, autor do livro “Corpo em obra”, que trata de transexualidade, “na infância não se sabe até que ponto a criança está só brincando de se comportar como alguém do outro sexo ou se esse já é um indício de transexualidade”.

A transexualidade é definida como transtorno mental e de comportamento sobre a identidade de gênero. A pessoa nasce biologicamente com determinado sexo, mas se vê e se sente como se tivesse outro sexo. Parte da comunidade científica considera que esse transtorno é uma patologia, mas isso não significa que seja uma doença e que, portanto, precise ser curada. O ideal é que a criança ou o jovem que se depare com essa situação passe por uma avaliação e tenha acompanhamento psicológico.

O transtorno afeta diretamente sua identidade sexual que, como vocês podem ver no post Os jeitos sexuais de ser, é fruto de uma construção psicológica que envolve o sexo biológico e o comportamento social. Por exemplo, para um garoto acreditar que ele é homem, é preciso que ele saiba que é do sexo masculino, se reconheça como homem e saiba como se comportam os homens em sua sociedade.

Um transexual masculino é anatomicamente um homem, mas sente-se como uma mulher desde a infância. Coy, embora tenha nascido com o sexo biológico masculino,  se sentia menina,  se vestia como menina e gostava e se identificava com as brincadeiras e atividades das meninas.

Como agir em uma circunstância como essa?
Proibir a criança de usar o banheiro das meninas resolve um lado da história, que é o da conivência social com relação ao sexo biológico. No entanto, será que o sexo biológico é o que mais importa? E o constrangimento da criança ou do jovem que tem que usar o banheiro dos meninos quando ele se sente uma garota, ou o contrário? E os outros garotos: será que eles têm educação e maturidade suficientes para respeitar um garoto que se sente e se comporta como uma menina? E as meninas: se sentiriam constrangidas ou violadas em sua privacidade pela presença no banheiro de uma pessoa do sexo biológico oposto?

Uma das maiores dificuldades do ser humano é lidar com a impotência diante de determinadas circunstâncias. Há fatos que, por mais que queiramos, não conseguimos mudar. A transexualidade é uma delas.

Ao observar um comportamento diferente, a escola pode ajudar chamando os pais para conversar e explicar o que está acontecendo para, juntos, buscarem uma solução que não aumente a angústia da criança e a fortaleça para enfrentar sua diferença. Cabe, inclusive, orientar os pais a buscar acompanhamento psicológico para a criança ou jovem aceitar melhor a sua condição e conviver com ela de forma menos angustiante.

Segundo o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) em São Paulo, o importante é diferenciar uma simples brincadeira de um comportamento constante.

Ele diz: “É muito comum crianças inverterem os papéis e, quando é algo pontual, não há maiores problemas. Mas, se isso se tornar um hábito frequente, diário, o menino quiser mudar de nome, usar presilha, vestido é indicado que os pais e o filho passem por uma avaliação profissional antes de qualquer coisa, para ver se essa é uma questão familiar que a criança está tentando resolver dessa forma ou se já é um transtorno de gênero.”

O trabalho na escola
Ser transexual é uma das formas de diversidade sexual que mais gera sofrimento. Eles são vítimas de preconceito, são agredidos fisicamente e muitos deles chegam a largar a escola por não conseguirem lidar com a discriminação e a violência a que são submetidos.

A escola pode aproveitar essa oportunidade para educar e trabalhar com seus alunos a relação com as diferenças. Tanto os diferentes precisam aprender a lidar com o que os torna diferentes como os demais alunos precisam aprender a conviver e respeitar as diferenças.

Um jeito muito interessante para ajudar os adolescentes a conhecer mais o assunto, e diminuir o julgamento de valores, é solicitar que assistam a filmes sobre o tema para discuti-los em sala de aula.  Um bom exemplo é filme Tomboy  - sobre uma garota de 10 anos que se sente menino. Lembre-se sempre de observar a classificação indicativa e conhecer o conteúdo do filme antes de exibi-lo em sala.

O tema é muito delicado e, como tal, requer ações cuidadosamente refletidas, caso a caso. Mais do que buscar por uma solução padrão, aplicável a todos os casos, é nosso papel estimular a reflexão sobre essas questões para que, em cada situação, possamos encontrar as melhores respostas e contribuir com o desenvolvimento integral de todos os alunos, seja qual for sua condição sexual.

E você, já vivenciou alguma experiência parecida? O que você faria se notasse um comportamento transexual em um aluno?

Até a próxima!


TAGS: ,

3 Comentários

Falar sobre higiene é o primeiro passo para um trabalho de prevenção eficiente

| Corpo e saúde


A chegada da puberdade causa uma grande revolução no corpo! Tudo muda. Braços e pernas se avolumam,  os seios despontam, os pelos aparecem, os genitais crescem e os cheiros se alteram, exigindo mais atenção e cuidado. E aí pode estar uma grande oportunidade para se trabalhar a autoestima e o conceito de prevenção em saúde sexual com os alunos.

Já fiz algumas consultorias para programas de Educação sexual em escolas e fico impressionada com a repetição dos temas trazidos pelas escolas todos os anos. Em uma das redes que visitei, o trabalho de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis com os alunos do 6º ao 9º se restringia a destacar a importância do uso da camisinha.

Falar de camisinha é importante, mas se a gente repete o mesmo conteúdo com o aluno em todos os anos, isso se torna contraproducente. Os conteúdos têm que estar adequados aos interesses e à capacidade cognitiva desses estudantes.

Nesse caso, sugeri abordar o tema da higiene corporal como introdução ao trabalho de prevenção com os jovens do 6o ano. No entanto, enquanto estávamos montando o currículo, uma das professoras me questionou:

- Isso não é para ser ensinado em casa? Eu fico constrangida de falar sobre isso com os meus alunos.

Expliquei que nem todo mundo tem a oportunidade de aprender a cuidar de sua higiene em casa. E quando isso acontece, os jovens podem se tornar vítimas da falta de informação, o que pode prejudicar diretamente sua autoestima. Além disso, acredito que prevenção e higiene são formas de autocuidado e, dessa forma, os alunos podem incorporar progressivamente alguns cuidados, evoluindo dos mais simples aos  mais complexos, como o uso da camisinha.

Desenvolvemos uma cultura em que falar sobre higiene é constrangedor. Minha mãe quando se deparava com alguém com mau hálito, por exemplo, dizia não ter coragem de abordar o assunto com a pessoa.

- Eu  sinto vergonha por ela – ela costumava dizer.

O cheiro é um estímulo sexual poderoso
Quem já não ouviu comentários de garotos e garotas que perderam o encanto por alguém porque a pessoa tinha mau hálito. Outro dia, ouvi de um aluno:

- O cheiro do suor dela era tão forte que o encontro foi “brochante”!

Isso sem falar do chulé, das espinhas e da oleosidade no rosto e no cabelo,  tão frequentes na adolescência.

Higiene é fundamental. Não só porque interfere na socialização e no interesse sexual, mas também porque é importante para a saúde. Inúmeras doenças, principalmente na pele e nos genitais decorrem da falta dela.

O primeiro passo para a prevenção
Cuidar da nossa higiene é o primeiro passo para ensinar alguém a se prevenir. Com uma brincadeira ou em uma roda de conversa, o professor pode fazer crianças e adolescentes entenderem que eles têm um corpo que tem dono: eles mesmos.

Esta chamada é muito importante para eles perceberem que a responsabilidade pelos cuidados com o próprio corpo é só deles, não pode ser delegada a outra pessoa. Outro ponto fundamental quando se trata da prevenção às DSTs.

Listo alguns conteúdos que não podem faltar na hora de falar com a turma sobre a origem das secreções corporais e como lidar com alguns odores mais significativos.

Corpo mal cheiroso
O ser humano possui glândulas sudoríparas responsáveis pela eliminação do suor, que  se tornam mais ativas a partir da puberdade. Esta secreção serve de alimento para as bactérias presentes na pele, principalmente nas áreas com mais pelos, como as axilas, provocando aquele cheiro desagradável de suor.

Há pessoas que têm uma maior concentração destas glândulas. Tudo depende da etnia e da genética. Mas, qualquer pessoa que pratica exercícios físicos ou passa muito tempo em ambientes quentes e fechados, acaba exalando mau cheiro. O suor se acumula sobre a pele e as bactérias “fazem a festa”, gerando um odor desagradável, que se impregna no corpo e na roupa. Para resolver esta situação desagradável, a receita é bem simples: banho todo dia. Ensaboar bem as axilas com água e sabão e aplicar um desodorante no local.

Chulé
O chulé é um odor causado pela proliferação de fungos e bactérias entre os dedos dos pés quando há excesso de umidade, geralmente provocada pelo suor. Essa umidade favorece o aparecimento de micose e fissuras entre os dedos, conhecidas popularmente como “frieira” ou “pé de atleta”. Quando isto ocorre, é inútil ficar colocando qualquer tipo de talco. É necessário que se use um fungicida.

Para evitar o chulé basta enxugar bem entre os dedos após o banho e usar sempre meias limpas e de preferência de algodão. Além disso, ajuda bastante, ficar descalço ou com o pé arejado sempre que possível e ainda alternar a utilização dos calçados.

Mau hálito
Existem muitas causas para o mau hálito: refluxo do estômago, inflamação na garganta ou nas amídalas, presença de resíduos de alimentos entre os dentes, cárie dentária ou inflamação da gengiva. Para prevenir ou resolver este incômodo, deve-se procurar um médico para poder tratar o problema de estômago, garganta ou amídalas, visitar o dentista pelo uma vez por ano para tratar ou prevenir as cáries, e principalmente, escovar bem os dentes após cada refeição, não esquecendo de usar fio dental.

Esmegma
É uma secreção esbranquiçada, parecendo leite talhado, que se acumula sob o prepúcio, nos homens, e ao redor do clitóris e nas dobras dos pequenos lábios, nas mulheres. O acúmulo de esmegma causa um odor desagradável e pode facilitar a ocorrência de infecção, tanto no pênis como na vulva. Para evitar esse desconforto e prevenir infecções, os garotos devem puxar a pele do prepúcio para trás e lavar a glande com água e sabão diariamente.  Já a garota deve lavar sua vulva  todos os dias e evitar usar calcinhas de tecido sintético.

E você, já abordou os cuidados de higiene com seus alunos? Conte-nos sua experiência!


TAGS: , ,

1 Comentário

Como lidar com convicções religiosas no trabalho de Educação sexual?

| Sexualidade

Hoje vamos conversar sobre um dos temas mais polêmicos presentes na escola: a interferência de doutrinas religiosas no trabalho de Educação sexual.

Não houve uma só vez que eu tenha realizado um treinamento com professores que não tenham surgido perguntas do tipo: “se o aluno disser que a religião dele não permite o uso da camisinha?”. Ou que os próprios professores tenham dito que sua religião não apoia relações sexuais entre adolescentes, que o relacionamento homossexual é uma doença; a masturbação é um pecado e o prazer sexual condenável.

Os progressos científico, político e econômico transformaram os costumes, desmistificando crenças e quebrando tabus. Hoje, as pessoas reconhecem que podem obter satisfação sexual com direito a escolha de ter ou não um filho. Elas podem desfrutar de sua vida sexual independentemente do sexo, gênero, orientação sexual, idade, raça, classe social ou deficiências mentais ou físicas, e sem colocar sua saúde em risco.

Algumas religiões, no entanto, ainda mantêm uma linha moral restritiva nas questões da sexualidade, principalmente em relação a qualquer atividade sexual que fuja do propósito da reprodução como, por exemplo, o sexo antes do casamento, o uso de anticoncepcionais e a masturbação. Quando não se consegue atendê-la, muitos ainda sofrem, sentindo o peso da condenação do pecado ou da discriminação social e religiosa.

Nem sempre ganhamos
Outro dia recebi um telefonema do diretor de uma escola religiosa. Ele tinha sido questionado por alguns alunos sobre a possiblidade de implantar em sua escola um dos projetos de maior sucesso do local onde trabalho, o Instituto Kaplan, sobre a prevenção à gravidez na adolescência, chamado de Vale Sonhar.

Depois que expliquei seu funcionamento e os conteúdos das oficinas, ele me perguntou:

- Por que, em vez de trabalhar com a possibilidade  de relacionamento sexual, vocês não estimulam a abstinência sexual na adolescência?

Respondi que a abstinência sexual não é um método de prevenção, mas sim  uma filosofia de vida ou um ensinamento religioso. Como educadora sexual, não posso apostar na fé. Tenho que trabalhar com fatos e conhecimentos científicos que preparem nossos jovens para conviver com a realidade social e a liberdade sexual presente nos dias de hoje.

Tentei mostrar para ele que o nosso papel não é estimular o sexo e que tampouco temos o poder de proibir a relação sexual. Nosso papel é promover a aprendizagem necessária para que, quando isso acontecer, eles saibam agir com responsabilidade, evitando a gravidez na adolescência.

Ele não gostou da minha resposta. Paciência.

Eu, como educadora sexual,  entendo os princípios da religião que o faz discordar de uma das mais importantes funções da educação sexual e, infelizmente, só posso lamentar por seus alunos.

Nem sempre perdemos
Em outro momento, apresentamos esse mesmo projeto para outra escola e um pai religioso me questionou o porquê de ensinar sobre a prevenção da gravidez para garotas de 13 anos que, segundo ele, nem pensavam em sexo?

Apresentei como resposta o índice de gravidez para meninas entre 10 e 19 anos no município em questão, segundo pesquisa do Datasus , do Ministério da Saúde.

Ele ficou perplexo ao ver os números e se tornou um porta-voz do projeto para os demais pais, entendendo as necessidades individuais e sociais da juventude no que diz respeito à sexualidade e à saúde sexual e reprodutiva. Contra fatos não há argumentos!

Mas o que podemos fazer? Nós não conseguimos mudar os princípios e dogmas sexuais das religiões, mas podemos e devemos argumentar com as pessoas, apoiados em informações com credibilidade. Se for necessário, para não se criar um embate em público, respeite as opiniões dadas e convide a pessoa para uma conversa em particular, na qual você poderá obter mais informações sobre as objeções, tentando argumentar de forma a vencer os receios ou a desinformação que possam influenciar determinada posição.

Não se deixe abater por um NÃO. Lembre-se da importância de um trabalho consistente para equilibrar as relações de gênero, respeitar a diversidade sexual e fazer a prevenção das DST/Aids e da gravidez na adolescência.

Para finalizar, gostaria de fazer um convite a todos os professores: o Instituto Kaplan realizará em São Paulo, nos dias 15 e 16 de maio, um curso de capacitação para educadores interessados em aprender a metodologia do projeto Vale Sonhar, que vem reduzindo em torno de 30% ao ano os casos gravidez nas escolas de Ensino Médio da rede estadual de ensino do estado de São Paulo. Você pode encontrar mais informações sobre curso no site do instituto.

E você, professor, já teve que lidar com algum tipo de restrição às atividades de Educação sexual por conta de preceitos religiosos? Compartilhe com a gente quais foram as soluções encontradas!


TAGS: , , , ,

9 Comentários

Por que ainda existem as figuras do “menino pegador” e da “menina galinha”?

| Sexualidade

Você já parou para pensar por que, diante de um mesmo tipo de comportamento, meninos e meninas são rotulados de maneiras tão diferentes? Para os garotos, essa fama é motivo de orgulho. Já para as meninas, de vergonha. O que há por trás destas interpretações?

Nossa herança cultural admite e admira a promiscuidade masculina como sinal de virilidade. Mas quando esse comportamento é exercido pelas garotas, elas são condenadas e rebaixadas em sua feminilidade. Quem nunca ouviu o conselho de que existem garotas para ficar e garotas para namorar?

A escola é fundamental para contribuir com uma relação de gênero mais apropriada, que desconstrua esse tipo de estereótipo tão nocivo para as relações sociais. Para isso, os alunos precisam entender de onde vem este comportamento e por que ele não cabe mais nos dias de hoje.

Macho que é macho não nega fogo!
Está aí uma frase que muitos meninos se habituam a ouvir desde cedo. A mensagem por trás dela é clara: o garoto não tem opção. Mesmo que não deseje uma garota, ele não deve dizer não. Caso o faça, isso pode ser interpretado pelos amigos como um sinal de que ele é gay.

É importante desconstruir esse conceito machista e sem fundamento. Querer ou não querer ficar com alguém não tem nada a ver com ser hétero ou homossexual, mas com respeito aos limites, valores e desejos. O professor tem papel significativo na vida de seus alunos e pode, por meio de um olhar diferente, mostrar a eles que os meninos têm o direito de fazer suas escolhas ao seu tempo.

Quando, por qualquer outro motivo – insegurança, autoafirmação ou por valores arraigados -, o garoto se orgulha de ser um “pegador”, cabe ao professor questioná-lo para entender se se trata apenas da reprodução irrefletida de um modelo socialmente concebido ou se esse comportamento faz parte da descoberta e do exercício da sedução – e do clima de “curtição” próprio da idade.

O professor deve debater com os garotos que, tão ou mais importante que a quantidade de aventuras, são os momentos de felicidade e de satisfação construídos com alguém. A intensidade de envolvimento afetivo e a qualidade das experiências sexuais são fundamentais para o garoto adquirir confiança em sua virilidade e viver o relacionamento sexual de forma espontânea e prazerosa.

Meninas têm que “se dar ao respeito”
Para as meninas, o rótulo de “galinha” vem carregado de julgamento e desprezo. Desde a infância, a ideia de “se dar ao respeito” pressupõe uma série de restrições à conduta feminina, segundo um determinado padrão que orienta diversos comportamentos sociais das garotas, do vestuário aos hábitos sexuais. Em relação a este último, a orientação era clara: só era digna de respeito – e, portanto, adequada para o casamento – a menina que se mantivesse casta. As mulheres não deveriam ter interesse sexual. E se tivessem, a atitude correta era reprimi-lo.

Como manter este mesmo julgamento hoje, em que a mulher não é mais apenas dona de casa, esposa e mãe? A mudança de paradigma na construção da identidade feminina passou por sua emancipação social, econômica e afetiva. Atualmente, as mulheres não dependem mais dos homens em nenhum aspecto. Isso também vale para a escolha dos parceiros. Ficar com quem e quantos desejar é um direito sexual da mulher.

Ocorre que esse comportamento independente ainda assusta as pessoas mais conservadoras, que traduzem sua incompreensão em preconceitos. Uma boa estratégia para desconstruir essa impressão é promover uma roda de conversa com meninos e meninas, separadamente, para que eles debatam sobre os papeis sociais e a visão sobre o sexo oposto e depois reunir toda a turma para que eles dividam suas impressões e entendam melhor a visão do outro. Aí, eles poderão entender a complexidade presente nas relações humanas sem reduzi-las a estereótipos.

Em busca do equilíbrio
Muitas vezes, garotos e garotas ganham fama por ainda não terem conseguido concluir uma etapa do processo de desenvolvimento afetivo – é a “pegação sem noção”, como eles dizem. Eles ficam com uma pessoa, com outra, com quem aparecer sem o menor critério. O que importa não é a pessoa com quem se fica, mas o fato de ficar. Encaram o outro como se fosse um objeto. Ambos estão treinando o papel sexual e ainda não conseguem lidar com o indivíduo, mas apenas com o fato.

Mais tarde, quando estão seguros de si, é que conseguem olhar para a pessoa. Quando isso acontece, em geral, ambos passam a estabelecer de fato um relacionamento onde o amor acontece e o interesse e o respeito pelo outro se sobrepõem às tentações de um encontro fortuito. Mas, para isso, é preciso que se tenha convicção de que este comportamento vale a pena! E isto se adquire por meio do valores e modelos que cada um traz de sua história, experiências afetivas e confirmação social.

E você, professor, como age ao ouvir algum aluno ou colega utilizando esses rótulos para se referir a um menino ou menina? Conte-nos sua experiência no assunto.

Até a próxima!


TAGS: , ,

2 Comentários

Quer que suas alunas se vacinem contra o HPV? Envolva pais e escola

Aluna recebe vacina contra HPV em escola do Distrito Federal - Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil - CC

Aluna recebe vacina contra HPV em escola do Distrito Federal – Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil – CC

No dia 10 de março, chega aos postos de saúde a vacina contra o HPV, o vírus que causa a maioria dos casos de câncer de colo de útero no mundo. A estratégia do governo é vacinar 80% das meninas entre 11 e 13 anos de idade do país. E, por isso, o Ministério da Saúde está incentivando as secretarias de saúde e educação a promover vacinações nas escolas.

Esta semana, uma professora de Maceió me perguntou como convencer as alunas a aderir à campanha de vacinação. Ela contou que sua escola está se preparando, mas as meninas não se animaram tanto. “Sou obrigada a tomar a vacina?”, uma perguntou. “Eu soube que dói e não quero tomar…”

Mobilizar as meninas sobre a importância de se vacinar será um dos grandes desafios das escolas em parceria com os postos de saúde. O Ministério da Saúde planeja distribuir o Guia Prático sobre HPV nas escolas, informando adolescentes, professores e pais sobre a importância da vacina. O governo iniciou em fevereiro uma capacitação a distância com profissionais de saúde e professores e também distribuiu um informe técnico aos estados e municípios.

Mas, na minha opinião, esse esforço pode não ser suficiente.  A contaminação pelo HPV está diretamente relacionada à atividade sexual das garotas. E muitos pais e professores não conseguem imaginá-las fazendo sexo aos 11, 12 anos. Algumas meninas e familiares podem ter um sentimento de negação.

É por isso que convido todos os professores a se engajarem nessa campanha. A causa é nobre e a vacinação contra o HPV, uma grande conquista para a saúde de nossas meninas.

Sugiro as seguintes atividades na escola:

- Sensibilize as meninas
Dê uma olhada em três recursos que podem ajudar escola e professor a expor às alunas a importância de vacinar. Escrevi aqui no blog um post sobre como trabalhar o tema com as alunas. Em outro post, falei sobre a vacina em si. E  o Guia Prático sobre HPV traz mais sugestões.

- Transforme a equipe escolar em formadora de opinião sobre o HPV
Convide um professor para dar uma palestra sobre o HPV, a campanha e a importância da vacinação para a saúde da mulher. Se nenhum docente se sentir pronto, chame um médico, enfermeiro ou educador sexual – a secretaria de saúde da sua cidade pode ajudar com isso. Peça que todos os funcionários da escola participem, especialmente os professores. Dessa maneira, a equipe poderá sensibilizar pais e alunos.

- Faça dos pais aliados
Uma das estratégias do Ministério da Saúde é recomendar que as escolas entreguem aos pais um termo de recusa. Alunas que não quiserem tomar a vacina devem trazer o papel assinado. Portanto, os familiares são fundamentais na adesão de suas filhas.

Chame os pais para participar de palestras, oficinas ou conversas com especialistas. Eles costumam ser leigos no assunto e precisam da atenção da escola para esclarecerem dúvidas e serem sensibilizados. Pode haver pais que achem a vacinação desnecessária – uma vez que não acreditam que suas filhas tenham relações sexuais. Alguns imaginam que a vacina incentiva as garotas a fazer sexo mais cedo. Outros familiares podem acreditar ingenuamente que as meninas nunca terão relações com parceiros infectados pelo vírus. E há quem tenha medo de que campanha force a uma conversa precoce sobre sexo com os adolescentes.

Sugiro uma oficina para engajar os pais na campanha. Veja como fazer:

1a etapa
Convide os familiares a se sentarem, explique a razão do encontro e e apresente a campanha do Ministério da Saúde. Forneça informações sobre o HPV e a saúde das meninas. Em seguida, solicite que os pais formem duas fileiras, uma dos que são contra a vacinação e outra dos que são a favor.  Peça para que formem quartetos compostos por duas pessoas de cada fileira.

2a etapa
Solicite que os pais contrários à vacinação expliquem seus motivos. Os pais a favor devem dizer como enxergam esses motivos, dando sugestões e argumentos para ajudar o outro grupo a compreender a importância do tema. A ideia é que os testemunhos ajudem os pais contrários a enxergar as vantagens da vacinação.

Os pais contrários devem contar aos favoráveis se foram convencidos a mudar de ideia e, em conjunto, todos podem pensar em ações para conversar com as meninas. Depois de concluir os trabalhos, os grupos apresentam o que concluíram.

3a etapa
Para finalizar, você pode fazer um plano de trabalho com as atividades sugeridas pelos pais. Liste os nome dos pais que desejam se envolver na campanha, estabelecendo as respectivas atividades e prazo de realização.

Bom trabalho e sucesso com suas alunas!


TAGS: , , , ,

2 Comentários

Carnaval: época de estimular a prevenção

| Ensino Médio

Campanha do Ministério da Saúde estimulando o uso da camisinha no Carnaval de 2014

Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou a campanha de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Carnaval. O tema deste ano é: Se tem festa, festaço ou festinha, tem que ter camisinha.

Necessidade de realizar esse tipo de campanha não falta. O Carnaval vem com a prerrogativa de que “vale tudo” durante quatro dias. A festa é cheia de alegria, sensualidade e brincadeiras sexuais. Com o calor do verão as pessoas vestem menos roupa, incorporam personagens voluptuosos em fantasias e costumam ingerir muita bebida alcoólica. Tudo isso cria um clima propício para as investidas sexuais. Tanto que, para muitos foliões, o sexo serve para avaliar a “qualidade” do divertimento. Se teve sexo, o Carnaval foi ótimo, se não teve… foi fraco.

Uma vez me perguntaram: essas campanhas feitas na época do Carnaval dão resultados? E a escola pode colaborar? É difícil medir o impacto do esforço, mas é sempre importante lembrar as pessoas da importância de usar a camisinha – mesmo quando é Carnaval.

E nós, educadores, também podemos fazer a nossa parte nesses dias que antecedem o Carnaval. Nossa tarefa é fazer os alunos se conscientizarem da necessidade de se prevenir das DST e da Aids.

Uma boa ideia para isso é realizar um concurso de campanhas publicitárias de prevenção às DSTs e Aids. O Carnaval começa amanhã (28/02), mas o concurso pode ser feito em qualquer época do ano.

O Ministério da Saúde também fez um comercial sobre a prevenção em outras datas festivas

Concurso de campanhas
O concurso leva o aluno a buscar informações sobre doenças para traduzi-las numa linguagem de efeito capaz de sensibilizar outros colegas. Por isso, costuma surtir um efeito muito maior do que campanhas que os alunos recebem prontas. Vejo um grande envolvimento e participação dos alunos nas escolas que fazem essa atividade. Os professores, por sua vez, não se cansam de dizer o quanto é gratificante!

Na 1a etapa da atividade, defina as regras do jogo com a turma. Explique que o concurso tem como tema geral a prevenção  às DSTs. Ressalte que os alunos deverão fazer uma campanha publicitária. Para isso, podem usar diferentes suportes: cartaz, camiseta, vídeo, faixa, folheto, dramatização, etc.

Depois, esclareça quais critérios serão valorizados, quem pode participar e a data de exposição das campanhas. Informe também quem serão os jurados, quais as regras do concurso e suas premiações.

Na 2a etapa, dê aulas com informações sobre a prevenção às DSTs. Peça que os alunos montem grupos, apresente alguns temas como provocação/sugestão para a o foco da campanha de cada um e estimule a pesquisa na internet e outras fontes como livros, manuais sobre o tema eleito. Peça que a turma procure por um conteúdo que toque a emoções e motive os colegas.

A 3o etapa consiste na exposição das campanhas. É muito importante que a equipe escolar valorize o empenho dos alunos. Por isso, escolha bons jurados entre professores e a equipe gestora, promova um dia especial na escola e chame todos os alunos a participar.

Provocações para os alunos

Você pode propor aos alunos temas específicos para as campanhas. Esses temas, além de ressaltarem a necessidade de prevenção, devem instigar os adolescentes. Por isso, eles sempre rendem um bom papo com a turma, mesmo que você decida não realizar a atividade de criação de campanhas com eles. Veja algumas sugestões abaixo:

- Como o vírus da Aids entra no organismo
Só se previne quem está convicto da necessidade de prevenção. Nunca é demais relembrar os alunos de que uma pessoa contrai Aids quando o HIV entra em contato com o sangue, sêmen ou secreções vaginais. Isso pode acontecer no sexo oral, mas é mais comum nas relações vaginais e anais.

O ânus e a vagina são órgãos cheios de pequenos vasos sanguíneos revestidos por um tecido fino chamado de mucosa. Na relação sexual, especialmente durante a penetração, o pênis provoca atrito na vagina ou no ânus, mesmo que a pessoa esteja lubrificada. Este atrito causa aberturas microscópicas nas paredes das mucosas, aumentando o risco de que o HIV presente no esperma ou na secreção vaginal entre na corrente sanguínea.

- Nunca delegue o cuidado com seu corpo!
Lembre os alunos de que cada um tem responsabilidade pelo próprio corpo. Afinal, ele só tem um dono. Nem sempre o parceiro sexual vai priorizar o interesse do aluno – nem sua saúde.

- Não faça qualquer negócio 
Muitos adolescentes condicionam sua auto-estima à capacidade de despertar o interesse do outro. Isso é ainda mais forte no Carnaval, uma época na qual todos parecem encontrar um parceiro. Lembre seus alunos a não fazerem acordos que coloquem suas saúdes em risco. É melhor terminar o carnaval se sentindo invisível do que correr riscos.

- Negocie o uso da camisinha antes da transa
Lembre à turma de que o tesão nos deixa “embriagados”. Quem deixar a discussão de usar preservativo para a hora das carícias mais quentes pode acabar entregue à própria sorte.

- Sempre haverá uma camisinha adequada ao seu parceiro
Mostre à classe que existem preservativos de vários tamanhos, qualidades e funções. Ninguém deve cair na conversa de que uma delas não serve para o parceiro.

- Sexo é uma brincadeira de verdade
Quando a gente se machuca nessa hora de diversão, a cicatriz fica para sempre.

- A pergunta feita por este vídeo, do site M de Mulher, da Editora Abril, é um bom exemplo de tema que instiga os alunos:

E na sua escola, quais atividades você desenvolve para preparar seus alunos para o Carnaval? Compartilhe nos comentários!

Campanha Atitude Abril Aids - Desinformação Tem Cura!


TAGS: , , , , , ,

1 Comentário

Não basta informar sobre a Aids. É preciso motivar os alunos a se proteger!

| Ensino Médio, Sexualidade

A cada dia de 2012, cerca de 2 mil jovens de 10 a 24 anos se infectaram com o vírus da Aids no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Estima-se que 5,4 milhões de rapazes e moças dessa faixa etária vivam com a doença. A maioria ainda não descobriu: depois que o HIV infecta uma pessoa, o corpo ainda leva 10 anos para manifestar os primeiros sintomas da síndrome.

Por isso, é muito difícil encontrar um jovem sofrendo com a Aids. E por conta dessa invisibilidade, muitos adolescentes estão se descuidando. Isso fica evidente quando converso com os jovens. A grande maioria me diz que só usa a camisinha caso haja risco de gravidez. “Eu nunca soube de um adolescente que tenha ficado doente de Aids. Mas amigas grávidas… isso eu vejo muito!”, comentam.

A Aids é uma das doenças mais estudadas no mundo. Desde que foi descrita, em 1981, cientistas já sequenciaram o DNA do vírus HIV, descreveram sua atuação no organismo, criaram coquetéis para melhorar a qualidade de vida de doentes e tentaram vacinas contra a infecção. Há até uma vacina brasileira bem próxima de ser testada em humanos.

A Aids ainda não tem cura!
Por isso, precisamos motivar os alunos a se proteger da doença. Eu sei que esta não é uma tarefa fácil. Prevenir-se é um comportamento que deve ser aprendido. E só existem dois caminhos para aprender: o medo ou a admiração/reconhecimento, como disse um dia meu querido professor, o Dr. Cornélio Rosemburg.

O HIV não aterroriza mais. Sobrou o reconhecimento. Devemos levar os alunos a reconhecer a importância da prevenção. É esta consciência que irá gerar neles uma motivação pessoal.

A camisinha ainda é o único meio eficaz de proteger as pessoas da Aids. Mas muitos jovens e adultos adorariam que esse item ficasse fora de suas vidas sexuais. Usar preservativo exige motivação intelectual – ou seja, demanda um pensamento elaborado e convicção suficiente para vencer o impulso de fazer sexo sem camisinha. Já o sexo desprotegido tem motivações mais fáceis e simples: de ordem prazerosa (exige apenas um pensamento simples) e instintiva (relacionada à necessidade de sobreviver). É duro para mim, uma educadora sexual, dizer isso. Mas é assim que trabalho, sem negar os fatos.

Como motivar os alunos a usar camisinha

Você pode trabalhar este tema de maneira a informar e motivar os alunos. Aqui vai uma sugestão de aula, que exige apenas papel, caneta e preservativos.

Comece solicitando que os alunos listem as dificuldades, medos e tabus relacionados ao uso da camisinha. Depois, divida-os em quatro grupos e peça que contem uns para os outros o que escreveram. Em seguida, solicite que os grupos listem as dificuldades mais comuns, ou seja, as que todos os membros disseram ter. Os estudantes devem guardar essa lista para usar mais adiante.

Em seguida, faça o Jogo da Assinatura, uma dinâmica que revela a cadeia de transmissão do HIV. Essa brincadeira, de domínio público, está descrita na página 40 do Manual de Prevenção das DST/HIV/Aids em Comunidades Populares, do Ministério da Saúde, disponível na internet. Depois do jogo, explique a importância da camisinha na proteção à saúde.

Finalize pedindo para os grupos se acomodarem e apresentarem suas listas. Ao final de cada apresentação, dê as informações necessárias para desmistificar os assuntos sobre os quais os alunos têm dúvida. Pode haver dúvidas sobre a resistência da camisinha, sua colocação e os efeitos que o preservativo traz à sensibilidade dos órgãos sexuais. Nesse caso, peça para os alunos colocarem a camisinha em uma mão e fazerem testes para que eles mesmos encontrem as respostas.

Essa aula costumar impactar positivamente os alunos. Eles conseguem perceber os reais riscos de contrair a doença, mesmo que no “faz de conta”. Um comentário comum entre os jovens é: “Eu não sabia que era assim… nunca mais transo sem camisinha!”. A atividade também desfaz alguns preconceitos sobre a resistência do preservativo.

Um convite para o fim de semana
Eu e minha equipe do Instituto Kaplan desenvolvemos uma camisinha gigante inflável para trabalhar a importância do uso do preservativo. A exposição Por dentro da Camisinha estará na Escola Estadual Pimentas VII (Av.: Marginal Sul, 87 , Bairro Pimentas), em Guarulhos (SP), entre os dias 21 e 23 de fevereiro.

A exposição está aberta a visitas de escolas a partir do dia 21 de fevereiro, à tarde. Mais informações com a Diretoria de Ensino Guarulhos Sul (Contatos: (11) 2442-2275 / 2276 e (11) 97127-8305; hederval@ig.com.br e guarulhos_sul@yahoo.com.br).  O evento é uma iniciativa da Fundação para o Desenvolvimento da Educação  (FDE) e do Programa Escola da Família.

Você tem outra ideia para motivar os alunos a usar camisinha? Como trabalha isso na sua escola? Compartilhe conosco!

Campanha Atitude Abril Aids - Desinformação Tem Cura!


TAGS: , , , ,

2 Comentários

Como agir com as brincadeiras de namoro entre as crianças?

| Educação Infantil, Sexualidade

Crianças de mãos dadas. Blog de Educação Sexual. Richard Stephenson/Crative Commons http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/

Muitos pais e professores ficam preocupados quando os pequenos brincam com o próprio corpo ou descobrem o prazer de tocar os genitais – comportamentos comuns na infância. No entanto, em uma postura contraditória, eles estimulam a criança a namorar quando ouvem o filho ou aluno se referindo ao amigo como namorado.

Namoro não é natural na infância. As criança pequenas ainda não têm condições biológicas, emocionais, e muito menos maturidade para realizar o relacionamento afetivo-sexual indispensável ao namoro.

Crianças não namoram, elas se relacionam. Para os pequenos, o outro ainda não tem a importância que o adulto dá. Uma criança não gosta de outra porque sente vontade de beijá-la, abraçá-la ou ser a única companheira de suas brincadeiras. Os pequenos gostam dos outros porque eles demonstram prazer em brincar junto, devolvem seus brinquedos, inventam uma brincadeira divertida, emprestam lápis de cores…

Por que, então, algumas crianças dizem ter namorados?

Normalmente, porque algum adulto falou isso antes. Em geral, é a partir dos três anos que as crianças passam a brincar de namoro e de papai e mamãe. Nesse momento, eles já incorporaram o conceito de gênero e começam a imitar os adultos. As brincadeiras revelam como os pequenos estão percebendo os papéis de gênero assumidos pelo mais velhos. Não indicam o desejo de ser pai, mãe ou mesmo de namorar.

Além disso, a criança constrói seu imaginário com base nas mensagens transmitidas pela família e pela sociedade. Para ela, ser namorado de alguém é gostar de estar junto. E, em geral, quem se encaixa neste perfil, é o(a) amiguinho(a) do momento.

É por isso que uma menina pode imitar os mais velhos e até dizer que o seu namorado é o Felipe. Mas, se isso não for reforçado pelo adulto, amanhã ela poderá dizer que é o Flávio, depois a Marina, a Carla…

Li na internet um depoimento de uma mãe que exemplifica bem o tema deste post. A filha de cinco anos pegou um anel de brinquedo e avisou: “Vou levar para o Felipe, posso?”. A mãe respondeu cheia de expectativas: “É um anel de compromisso?” “O que é um anel de compromisso?”, questionou a menina. “Nada, nada. Pode levar, filha.” A criança então complementou: “Não sei se vou dar pra ele ou para a Letícia.”

Uma vez, um pai me procurou muito preocupado com a possibilidade de seu filho ser gay. Ele havia perguntado ao seu filho de 4 anos quem era a namorada do menino. A resposta veio de pronto: “Ora, o Rafael!”. Apesar da ansiedade do pai, é claro que a resposta da criança não sinaliza qual será a sua orientação sexual.

As confusões acontecem porque as pessoas entendem a palavra namorado sob o ponto de vista do adulto. E têm dificuldade em diferenciar sua visão de mundo da visão dos pequenos. Deveriam lidar com os comentários de acordo com o contexto e com a capacidade das crianças. Mesmo porque, logo, logo, quando chegarem aos 7 anos, os meninos dirão que as meninas são chatas e mimadas. Já as garotas vão dizer que eles só conversam bobagens e não entendem de meninas. É por volta dos 13 anos que as crianças passam a ter interesse afetivo e sexual por alguém e de fato, namorar.

O que fazer quando o aluno diz estar namorando

Durante a infância, é importante que a criança tenha tranquilidade para fazer amigos e brincar de acordo com o seu desenvolvimento. Portanto, o professor ajuda muito ao evitar comentários sobre namoro. Também não é bom sugerir que o aluno sente ao lado de seu suposto namoradinho ou lhe dê um beijo. Atitudes como essas inibem os pequenos. O que era para ser uma amizade leve, descontraída, divertida e companheira… vira um constrangimento e tolhe o desenvolvimento e a aproximação entre eles.

A atitude da escola com os pais

Uma professora de Educação Infantil me perguntou como proceder com o aluno cuja mãe compra presentes para sua filha dar ao “namoradinho” na escola. “A mãe já trouxe até jóias, como um anel simbolizando compromisso!”, explicou.

Meu conselho? Não estimule esse comportamento na escola. Há crianças que pegam birra e nem chegam mais perto do amigo que insistem em dizer ser seu namorado.

Em casos como esses, a escola pode conversar com os pais sobre o assunto. Essa tarefa pode ficar com o coordenador ou o professor da criança. Caso o profissional se sinta inseguro, pode levar para o bate-papo a pessoa na escola que entenda de sexualidade infantil, como a psicóloga. Quem lidera essa conversa preciso conquistar a confiança e o respeito desses pais. Isso porque irá tocar em questões delicadas, como as expectativas e valores dos responsáveis pela criança.

A escola também pode promover palestras ou cursos sobre sexualidade infantil e desenvolvimento afetivo-sexual. Essas atividades para a comunidade costumam surtir um efeito positivo na compreensão dos adultos.

Há outras condutas em sua escola para lidar com essa pressão sobre as crianças? Compartilhe nos comentários!


TAGS: , , ,

10 Comentários