Violência contra a mulher: quem ama não maltrata

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O tema da violência contra mulher deve ser abordado em sala. Foto: Shutterstock

Sete em cada dez mulheres sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo de suas vidas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Diferentemente do que se pode imaginar, a violência de gênero, não é exclusiva dos adultos. Estudos do Banco Mundial mostram que é muito mais provável, em todo o mundo, uma mulher entre 15 e 44 anos sofrer esse tipo de violência do que de ter câncer, malária, ou se envolver em acidentes de trânsito.

A violência contra mulher origina-se na desigualdade de gêneros, de que tratei na semana passada. A ideia machista de que as mulheres são seres com menos direitos fundamentaria a submissão delas às vontades e desejos dos homens. Infelizmente, este debate é mais atual do que nunca. Nesta semana, uma petição ganhou notoriedade na internet ao pedir que a Polícia Federal brasileira negue a entrada do suiço Julien Blanc, que vem ao Brasil em 2015 para ministrar palestras sobre “como pegar mulheres”. Apertar os pescoços das mulheres ou colocar seus rostos à força em direção à virilha dele são algumas das “táticas” ensinadas. É por essas e tantas outras razões que esse tema precisa ser abordado na Educação Sexual.

Tudo pode começar de forma muito sutil: o namorado demonstra ciúmes, marca em cima…  São atitudes que aos olhos de quem está apaixonada podem parecer grosserias à toa ou até mesmo provas de amor. Até que um dia ele puxa o braço da garota com mais força e a machuca. Será que a menina não precisa ficar esperta e cair fora desse relacionamento?

Se uma aluna chega à escola com uma mancha roxa no braço, o educador deve intervir e conversar em particular com a aluna para descobrir o que houve e, caso se confirme a violência, analisar juntos os prós e contras desse relacionamento e como a menina pode buscar ajuda. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres colocou à disposição da população um canal de telefone para denunciar a violência doméstica e receber atendimento - número é o 180.

No entanto, mais importante do que oferecer assistência às alunas que sofrem esse tipo de violência é fazer um trabalho de prevenção com todos os alunos, meninas e meninos. Não precisamos esperar acontecer uma tragédia para trazer esse tema à sala de aula. É fundamental que os alunos entendam que quem ama não maltrata.

Meninos e meninas precisam saber que ninguém é propriedade de ninguém. Nós estamos em pleno século 21, a mulher já conquistou vários direitos, entre eles o de não ser tratada como propriedade de alguém. É inadmissível que em nome do amor, ou desse sentimento de propriedade, um homem agrida uma mulher. Desde 2010 a Lei Maria da Penha garante esse direito às mulheres. Isso precisa ser divulgado, trabalhado e analisado desde a adolescência.

Lei Maria da Penha

Essa lei homenageia a biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou paraplégica depois de levar um tiro do próprio marido enquanto dormia e conseguiu, depois de lutar por 20 anos, que ele fosse condenado. Além de criar em todos os estados um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, a Lei Maria da Penha alterou o Código Penal, permitindo, principalmente, que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada. A lei também traz uma série de medidas para proteger a mulher agredida, que está em situação de agressão ou cuja vida corre riscos. Essa lei protege as mulheres em relacionamentos estáveis ou eventuais, como o namoro e o ficar.

Sugestão de trabalho na sala de aula

1a etapa

Inicie o trabalho dizendo aos alunos que fará um trabalho muito especial para ambos os sexos, embora aparentemente, pareça favorecer apenas as mulheres. E anuncie o tema: violência contra a mulher.

Pergunte se eles já ouviram falar de alguma situação em que essa violência aconteceu, e pede que contem as formas de violência de que já ouviram falar.

Em seguida, complemente que as formas de violência mais comuns variam da agressão física mais branda (tapas e empurrões), seguida pela violência psíquica (xingamentos, ofensas à conduta moral da mulher) e a ameaça (coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de agressão).

2a etapa

Divida os alunos em quatro grupos, distribua uma folha de papel sulfite para cada e peça que eles criem uma história sobre uma situação que eles julguem ter havido uma violência por parte do namorado contra sua namorada, relatando o contexto em que tudo aconteceu.

Em seguida, recolha as histórias e passe para o grupo seguinte, de tal forma que nenhum grupo fique com sua própria história. Diga aos alunos que eles serão advogados e receberão o caso para analisar e julgar se houve uma violência contra a mulher e quais as medidas que deveriam ser tomadas.

3a etapa

Depois que o trabalho estiver pronto, os grupos devem apresentar para a classe. Faça as complementações necessárias para a compreensão de que essas atitudes são consideradas crime e então apresente a Lei Maria da Penha. Mostre aos alunos que, além de não praticarem essa violência, é muito importante que os meninos se unam às meninas para apoiá-las na prevenção dessas situações.. E que as meninas precisam aprender a não serem condescendentes.

Explique que quando a garota perceber que está sendo agredida, mesmo que seja um “mau jeito”, ela não deve aceitar e precisa fazer algo a respeito. Qualquer tipo de violência deve ser repudiado!  Ninguém deve aceitar ou tentar justificar o ato do outro  que lhe traz dor, sofrimento ou constrangimento. Muito menos, quando isso ocorre por que o homem quer demonstrar sua superioridade.

Várias culturas estimulam e confirmam essa violência no seu dia a dia como uma forma natural de comportamento, o que torna mais difícil o seu combate e a gravidade deste problema. Alerte suas alunas! Diga claramente e sem medo para elas: isto não é amor, é violação dos direitos humanos.

Você já conversou sobre esse tema? Experimente falar com seus alunos e compartilhe aqui no blog.


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Relações de gênero – um tema que não pode ficar fora da sala de aula

| Sexualidade
Foto: Shutterstock

Igualdade de gênero: direitos, oportunidades e respeito.

Homens que se relacionam com muitas mulheres são “garanhões”.
Mulheres que se relacionam com muitos homens são “fáceis”.
Homens não choram.
Mulheres são menos eficientes.

Como seus alunos percebem os papéis que os homens e as mulheres desempenham na sociedade? A Organização das Nações Unidas (ONU) lançou em Nova York a campanha HeForShe (ElePorEla), um movimento para promover a igualdade de gênero e nomeou a atriz Emma Watson, que ficou famosa ao viver a personagem Hermione na franquia Harry Potter, como embaixadora da boa vontade.

Em seu discurso, ela prega o reconhecimento dos direitos e da autonomia da mulher. “Acho certo que me paguem o mesmo tanto que os meus colegas do sexo masculino recebem… Que mulheres estejam envolvidas nas políticas e tomadas de decisão de seu país… Que eu seja capaz de tomar decisões sobre o meu próprio corpo… E que socialmente eu receba o mesmo respeito que os homens.”

Assista ao discurso da atriz na íntegra:

Como ela diz, nenhum país do mundo pode dizer que alcançou a igualdade de gênero. E eu completo: alguns países estão muito distantes disso, como o Paquistão, em que milícias extremistas tentam impedir as meninas de estudarem e até tentam assassiná-las por isso, como foi o caso da Malala, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. O Irã também foi manchete nos jornais dessa semana com o caso absurdo da advogada que foi presa e condenada a um ano de prisão por querer assistir a um jogo de vôlei.

O que não se noticia e a gente não percebe é que o descompasso entre gêneros, que produz tanta violência, é construído no dia a dia, durante todo o desenvolvimento de meninos e meninas, como parte daquilo que chamamos de Educação Sexual.

Ser Homem ou Mulher

A natureza não define o gênero de uma pessoa, apenas o sexo: nascemos do sexo masculino ou feminino. As crianças não nascem acompanhadas de uma “bula da natureza” que mostra como homens e mulheres devem se portar: isso é aprendido e estabelecido nas relações sociais e varia de acordo com a cultura, valores e conceitos. Logo depois que um indivíduo nasce, inicia-se um longo processo social que influencia a construção de sua identidade, do seu papel sexual e de como se porta nas relações entre os sexos. A absorção desses estereótipos de gênero depende de como cada um aprende, entende e interpreta seus direitos e deveres em relação a si mesmo, ao outro e ao seu grupo social. E isso é uma questão de cidadania de que a escola participa ativamente, seja de forma intencional e sistematizada, seja no simples fato de transmitir, por meio do vínculo que criam com os alunos, valores, crenças e atitudes dos seus profissionais.

Sugestão de como trabalhar a relação de gênero

Trabalhar a relação de gênero significa educar sexualmente meninas e meninos dentro de uma perspectiva de igualdade de relações e direitos. Independentemente do sexo, homens e mulheres podem ser fortes e fracos, emotivos e racionais, autônomos e dependentes, inteligentes e capazes. Os sujeitos são constituídos de acordo com suas experiências em função de sua história e cultura e não como um fato da natureza humana.

Durante a infância isso pode ser trabalhado nas histórias que são contadas para as crianças, nas brincadeiras adotadas pela escola, na igualdade de oportunidades, nas atividades desenvolvidas em sala de aula, e principalmente, pela tomada de consciência do professor sobre as suas atitudes e valores em relação ao sexo feminino e masculino. Os educadores precisam rever seus conceitos e sua atuação junto às crianças, para não passar adiante modelos que contribuem para o descompasso entre os gêneros. As historinhas infantis mostram que a submissão de uma princesa é motivo para o príncipe se apaixonar por ela? Os meninos são recriminados quando choram ou ficam tristes? Apenas as meninas são chamadas para ajudar a professora, por serem naturalmente mais “organizadas” e “prendadas”? Essas são algumas reflexões que educadores precisam fazer  para avaliar se sua postura em sala está reforçando estereótipos.

Na adolescência, as atitudes do dia a dia e a postura do professor também são muito importantes. Mas se na sua escola você dispõe da oportunidade de falar sobre gênero com seus alunos, esse é um excelente tema para se trabalhar. Para isso, é fundamental desenvolver uma atividade dinâmica em que os jovens possam expressar suas ideias, refletir sobre elas e desenvolver uma postura ética sobre as desigualdades sociais entre homens e mulheres. Uma boa sugestão é usar a dinâmica que trabalha as vantagens e desvantagens de ser homem ou mulher na nossa sociedade. Ela está disponível na página 30, do Manual do Multiplicador do Ministério da Saúde.

Na minha experiência esse trabalho permite refletir com os jovens os diferentes papeis que homens e mulheres exercem na sociedade e como estes são construídos por meio da cultura, expressos em diferentes veículos de comunicação e na imagem que cada um tem de si e da outra pessoa. O debate provocado é muito rico e pode desenvolver uma educação menos preconceituosa e mais humana.

Experimente, você vai ter uma agradável surpresa!


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Ansiedade e nervosismo nas primeiras relações sexuais

| Sexualidade

Ansiedade e nervosismo nas primeiras relações sexuais. Crédito: Montaegm

A inexperiência sexual quase sempre gera ansiedade nos garotos e garotas que estão pensando em iniciar sua vida sexual. Na adolescência, eles estão aprendendo a lidar consigo mesmos, e ainda não sabem o que fazer com o outro.  O medo do desconhecido, de não corresponder às expectativas, de não saber o que fazer… Tudo isso pode comprometer a qualidade da relação sexual. Tanto é assim que a ansiedade está ligada à dificuldade sexual mais comum entre os adolescentes: a ejaculação precoce, que frustra o casal, pois impede que haja um ritmo sexual adequado a ambos.

É preciso esclarecer as dúvidas que alimentam o nervosismo e a insegurança. Os jovens precisam saber que sexo se aprende com a experiência e que é necessário “baixar a guarda” para poder aprender a brincar e se divertir com o seu corpo e o do outro.  O educador deve, por exemplo, desconstruir o mito de que homens já nascem sabendo fazer sexo ou que o orgasmo deve ser uma meta no sexo, tema sobre o qual falei no post Fingir orgasmo: motivos e problemas.

Além disso, é importante oferecer informações sobre diferentes aspectos relacionados: a própria decisão de iniciar a vida sexual, quais são e como funcionam os métodos contraceptivos indicados para essa fase, como funcionam a camisinha e os métodos hormonais, os riscos de práticas sexuais como o coito interrompido, as doenças sexualmente transmissíveis, como funciona o próprio corpo, como funciona o corpo do outro… Em suma: uma boa Educação Sexual.

Desmistificando a ejaculação precoce

Vamos falar sobre a ejaculação precoce, tão comum nessa fase. Desconhecimento e falta de treino no controle ejaculatório são as principais causas da dificuldade. Nesse sentido, o educador pode esclarecer durante a aula sobre o aparelho reprodutivo masculino. Veja passo a passo no post Aprendizagem do controle da ejaculação.

Para os meninos, é importante explicar que essa dificuldade não significa um “defeito de fábrica” e não deve ser motivo de vergonha. Se acreditam nisso, eles podem sofrer e deixar de buscar ajuda, o que afeta diretamente a autoestima e a concentração nas aulas.

Já as meninas geralmente relacionam a ejaculação rápida ao desejo do garoto de “terminar logo” e se sentem rejeitadas. Isso se deve ao desconhecimento sobre a sexualidade masculina: é exatamente por querer agradar tanto que o garoto fica ansioso e perde a capacidade de controlar a ejaculação.

Experiências apressadas

As primeiras experiências sexuais geralmente são acompanhadas pela sensação de urgência. A ejaculação precoce também pode ser decorrência dessas experiências em que tudo é feito às pressas.

A masturbação, primeira prática sexual da maioria dos adolescentes, é feita, ainda hoje, às escondidas, acompanhada de culpa e medo de que alguém flagre esse momento íntimo.

Por diversos motivos, os primeiros encontros sexuais também acontecem geralmente sem o conhecimento do pais e a mesma coisa acontece: o casal fica com medo de que alguém chegue a qualquer momento e o jovem tenta alcançar o orgasmo o mais rápido possível.

Quando isso ocorre com muita frequência, o garoto deixa de se aperceber das sensações do corpo, desenvolvendo uma forma de desempenho sexual insatisfatória tanto para si quanto para a garota.

O que deveria ser prazer, alegria e satisfação se transforma em ansiedade, medo, sofrimento ou desprazer, gerando a perda ou diminuição da capacidade de manter uma relação sexual prazerosa. A ejaculação precoce pode estar associada a aspectos mais profundos e inconscientes do garoto, por isso os jovens precisam saber buscar ajuda especializada, como a terapia sexual, capaz de tratar a ejaculação precoce de forma eficaz.

É por isso que defendo uma Educação Sexual que vá além do ensino de métodos contraceptivos: nossos garotos e garotas merecem uma vida sexual saudável, responsável e prazerosa. Isso só acontecerá se oferecermos a eles informações, acolhimento, diálogo franco, e se apoiarmos o desenvolvimento de sua capacidade de discernir, respeitar seus limites e enfrentar os seus direitos. Vamos conversar sobre isso no próximo post.


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Fingir orgasmo: motivos e problemas

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Homens e mulheres fingem orgasmo: por que abordar esse tema na Educação Sexual? Crédito: Shutterstock/ montagem

“O que eu faço quando uma aluna me diz que finge orgasmo?”, me perguntou uma colega dia desses. Ela contou que sua aluna havia lhe dito que achava sexo muito sem graça e que sempre fingia para o namorado “ter chegado lá”.

O mais importante é ouvir as razões dela sem julgar e fazê-la refletir sobre o impacto desse comportamento para a sua saúde sexual. De acordo com o rumo da conversa, se o educador achar necessário, ele deve sugerir a consulta ao médico ou uma avaliação psicológica, já que, em geral, a anorgasmia feminina está ligada a aspectos psicoemocionais.

Por se tratar de uma questão pessoal, o educador deve conversar a sós com a aluna, mas esse assunto pode ser abordado com as alunas e os alunos do Ensino Médio na aula de Educação Sexual, para prevenção de disfunções sexuais.

Fingir é sempre ruim

Toda vez que se fala em fingir orgasmo, só se pensa na mulher. O filme Harry e Sally, com Billy Crystal e Meg Ryan tem uma cena emblemática, na qual a atriz mostra como é fácil para uma mulher fingir orgasmo. Mas, os homens, com a ajuda da camisinha, também “aderiram” à pratica de fingir orgasmo. Uma pesquisa americana revelou recentemente que mais de 30% dos homens admitiram já ter fingido orgasmo.

Homens e mulheres dizem fingir pelas mesmas razões: não magoar ou decepcionar os parceiros ou não expor sua dificuldade sexual. Ah! Os meninos ainda podem ter mais uma motivação para fingir: poupar-se para continuar o sexo. Assim, ele pensa impressionar, fingindo que está pronto para uma segunda transa na sequência. Qualquer que seja o motivo, os especialistas são unânimes em dizer que fingir orgasmo sempre será algo negativo. Quem age assim está violentando a si mesmo.

Proposta de trabalho

O orgasmo não é uma meta a ser atingida no sexo, mas consequência natural de uma relação em que há desejo, sintonia, cumplicidade e desprendimento. Na realização de um trabalho em sala de aula, o objetivo é mostrar para os alunos que, no sexo, o mais importante não é o quanto “se pega”, a quantidade de aventuras, mas o como “se pega”, os momentos de felicidade e satisfação, aqueles que realmente deixam a pessoa gratificada.

Para tanto, uma boa intervenção é a problematização. Apresente o fato para os alunos e pergunte “pra que se finge um orgasmo?”. Deixe que eles falem o que lhes vier à cabeça e em seguida divida os alunos em grupos de meninos e de meninas. Entregue uma folha de papel sulfite e peça para que listem as vantagens e as desvantagens desse comportamento. Depois de um tempo, convide os grupos a apresentarem suas produções: Após a exposição dos meninos, peça para as meninas opinarem sobre as razões colocadas e vice-versa. Esse exercício pode ser muito rico para os jovens perceberem que é fundamental cuidar do sexo, dando a ele a atenção e o valor positivo que ele merece. Quando um dos parceiros deseja que a transa acabe logo, é mais honesto e saudável nem começar. O sexo só é prazeroso para os dois se houver interesse e empenho mútuos.

A química do prazer

Em outros posts, expliquei como funcionam o orgasmo feminino e o orgasmo masculino. A Declaração dos Direitos Sexuais diz que o “prazer sexual, incluindo autoerotismo, é uma fonte de bem estar físico, psicológico, intelectual e espiritual”. O prazer é gerado por substâncias naturais produzidas pelo cérebro que nos relaxam, nos preservam da dor e dão enorme prazer: as endorfinas. Outros hormônios são produzidos pelo corpo antes, durante e após o ato sexual: há uma intensa produção de adrenalina, testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento, entre vários outros. Este caldeirão químico, associado a uma cadeia de processos físicos e psicoemocionais que interagem logo no despertar do desejo sexual, produzem no indivíduo uma especial sensação de bem-estar que torna a atividade sexual fundamental para a saúde e para a qualidade vida.

É normal não sentir orgasmo?

O fato de não sentir orgasmo em todas as vezes que se transa não é patológico. Mas, quando o garoto ou a garota demora mais tempo do que gostaria e prefere dizer que já chegou ao orgasmo em vez de enfrentar a causa da dificuldade, pode estar plantando um problema sexual futuro. Isso ocorre porque o ser humano, em sua memória emocional,  passa a relacionar sexo como algo sem graça, aborrecido e tal fenômeno pode de fato levar a uma disfunção sexual. No caso dos meninos, a disfunção erétil e a ejaculação tardia, e, no caso das meninas, a inibição do desejo, a anorgasmia e a dispareunia (dor na relação).

A qualidade das experiências sexuais é fundamental para se adquirir confiança pessoal e viver o relacionamento sexual de forma espontânea e prazerosa.

Prêmio Educador Nota 10

Não poderia deixar de comentar o evento Prêmio Educador Nota 10, realizado pela Fundação Victor Civita. Foi uma festa muito bonita! Fiquei muito emocionada ao ver o empenho e o compromisso dos professores contemplados. Ah! Como é gratificante ver nos rostinhos de nossos alunos a alegria do saber, e em sua postura altiva, o orgulho de quem descobriu que agora detém o poder de um conhecimento. Isso foi possível porque cada um desses professores saiu da zona de conforto e foi buscar e ousar ensinar com muita competência profissional… Parabéns a todos os vencedores!!!


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Qual é a importância do sexo na conquista amorosa entre os jovens?

| Sexualidade
Quais atributos estão envolvidos na conquista amorosa. Crédito: Shutterstock

Será que a atração sexual é o único fator que desperta interesse dos jovens pelo outro?

Eu me surpreendi com a quantidade de comentários no facebook sobre o último post Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”? Fiquei feliz em saber que há crianças e jovens que já podem contar com adultos conscientes sobre a importância da sexualidade.

É um engano perigoso achar que negar a sexualidade ou não conversar sobre sexo faz com que os adolescentes percam o interesse sexual – que corre nas veias e na mente deles! A sociedade está mais liberal e isso propicia aos jovens muitas oportunidades sexuais.

É por isso que insisto na importância da Educação Sexual na escola, não só para falar sobre prevenção às DST e da gravidez, mas também sobre a qualidade de vida sexual dos jovens… Vocês dirão que estou sonhando muito alto… Mas é verdade! Os jovens precisam ser informados e refletir sobre mais temas, por exemplo, o uso do sexo na conquista amorosa.

Os atributos que interferem numa conquista é uma boa temática para trabalhar na sala de aula com os alunos do 9o ano e do Ensino Médio.

Conquista e sexo

No conceito de muitas garotas, a arma principal para se conquistar “o cara” é o sexo. De fato, a atração física e sexual é um motivo muito forte para despertar o interesse de um garoto. Mas, só o tesão não sustenta um relacionamento. Conquistar alguém é despertar no outro o encantamento e isso nem sempre depende da nossa desenvoltura sexual. O que decide mesmo nosso interesse por alguém é um conjunto mais amplo de fatores. O sexólogo americano John Money acredita que um dos mecanismos que explica a atração por alguém específico são os “mapas amorosos”.

O mapa amoroso funciona como um álbum de fotografias mental que é consultado sempre que surge alguém interessante a nossa volta. Quando ocorre o encontro com pessoas que possuem características parecidas com aquelas que temos registradas nesse álbum como significativas, a paixão pode acontecer. Assim, o ideal que temos em mente é muito mais poderoso no processo de conquista do que a sensualidade e disponibilidade sexual.

E é aí que o trabalho de Educação Sexual pode ser muito proveitoso! Numa roda de conversa com seus alunos, levante a questão: Qual tipo de pessoa atrai você?

Antigamente, uma menina sabia como preencher o modelo de mulher para conquistar um namorado. Bastava ser discreta, dengosa e prendada (saber costurar, cozinhar, cuidar de uma casa e lidar com crianças). Hoje, ainda bem, a mulher tem mais opções, principalmente na sua vida profissional. O parâmetro generalizado de “menina preferida” não existe mais.

Por outro lado, esse processo é muito recente e há casos em que ser estudiosa, ousada e independente pode amedrontar o garoto, ou não parecer atraentes à primeira vista. A atração sexual parece ser a única certeza sobre o mecanismo de atrair o outro. Por isso é muito importante que os alunos identifiquem outros tipos de atração, além da sexual: a atração afetiva, aquela em que o adolescente gosta do “jeito de ser” do  outro – seus gestos, suas atitudes, sua forma de se expressar, de fazer as coisas, de se vestir, de se posicionar nas situações… E a atração intelectual, quando se aprecia o jeito de pensar do outro: a forma de ver a vida, as expectativas, os valores morais, religiosos, a forma de se comportar na vida em relação a si, aos outros e ao mundo.

O conhecimento sobre o processo amoroso pode ajudar os jovens a encontrarem o seu próprio jeito de conquistar sem que para isso precisem extrapolar seus limites, atropelar seus valores e deixar de respeitar o seu tempo. 

Você já conversou alguma vez com seus alunos sobre isso? Compartilhe conosco!


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Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”?

| Família, Sexualidade

Releitura da capa de

Não posso deixar de compartilhar com vocês uma notícia que me incomodou muito:

… o livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, foi proibido em escolas públicas em Riverside, na Califórnia, por falar de morte e sexo. A proposta de proibição veio de uma mãe, Karen Krueger, que convenceu uma comissão de professores, pais, diretor e bibliotecários a retirar as cópias dos livros das bibliotecas do distrito. “Eu não acho que o conteúdo seja apropriado para crianças de 11, 12, 13 anos de idade”, disse ela. (Fonte: UOL)

O best-seller “A culpa é das estrelas“, do autor norte-americano John Green, conta de maneira espirituosa e sensível a história de um casal de adolescentes diagnosticados com câncer. Recentemente adaptado para o cinema, o livro trata de sexo e morte, dois temas tabu na nossa sociedade. A protagonista tem uma vida amorosa (e sexual) ao mesmo tempo em que lida com a doença e a iminência da morte. Não é o caso de avaliar se essa história é a melhor para abordar essas questões, mas quero discutir a postura superprotetora, que, oferece ao jovem silêncio e negação no lugar de uma oportunidade para o diálogo e a aprendizagem sobre questões inerentes à vida. Será que isolar crianças e jovens de temas como a morte e o sexo é positivo para seu desenvolvimento?

Isso me remeteu a minha adolescência…  Sem ter mais o poder de me proteger da vida, meu sábio e saudoso pai admitiu em uma de nossas conversas:

“Se pudesse, colocava você e seus irmãos num pedestal para que não precisassem passar por nenhum tipo de sofrimento, tristeza ou dificuldade. Mas não posso. Filha, o que posso lhe dizer é que a lei da física se aplica a lei da humanidade. Quando a gente se deixa levar pela força centrípeta ou pela centrífuga… Perde o controle sobre a própria vida e passa a ser comandado pelos outros. É preciso encontrar o equilíbrio! E, para isso, você tem que aprender a subir a sua escada da vida sozinha.”

A coragem e a humildade contidas nessas palavras são uma grande referência para mim. Até hoje pauto minhas atitudes por elas, mesmo tendo mais idade do que meu pai tinha quando as proferiu.

Desejo e realidade

Precisamos separar a nossa expectativa em relação à vida dos nossos jovens da realidade com que eles têm de lidar e vivenciar com suas próprias pernas e atitudes. Muitos pais e educadores ainda acreditam erroneamente que as aulas de Educação Sexual são uma apologia ao sexo. Eles têm a ideia – ou a esperança – de que seus filhos/alunos nem sequer pensem nisso. Será? Uma pesquisa recente mostrou que a primeira relação sexual dos brasileiros está ocorrendo por volta dos 13 anos, mesma idade registrada nos Estados Unidos e Austrália.

Hoje um casal de adolescentes pode passar um longo tempo juntos, em sua própria casa, na casa de amigos, em uma balada, em um shopping ou mesmo no cinema.

O que os jovens fazem ou não com o seu interesse sexual – que, como vimos na pesquisa, existe! – depende da Educação Sexual que tiveram, isto é, dos valores, da capacidade de tomar decisões e lidar com os desejos, da aprendizagem sobre prevenção, da sua autoestima…

Ouço muito que as crianças e jovens “não estão preparados” para lidar com esse tema. Concordo, afinal, quem já nasce preparado para alguma coisa nessa vida? Nosso papel é justamente prepará-los para lidar com questões da sexualidade, de acordo com o seu interesse e com sua capacidade de compreensão dos fatos. Eles anseiam saber! Precisamos respeitar a fase de cada um, e não impedir o conhecimento.

Muitas vezes, o sexo é reduzido ao prazer do corpo e às manifestações genitais. No entanto, a sexualidade é um instrumento que propicia experiências indispensáveis ao crescimento pessoal, à autonomia e ao desenvolvimento da individualidade e, até mesmo da cidadania, uma vez que envolve o modo como cada um entende e interpreta seus direitos e deveres para consigo e com os outros, em relação à condição de gênero, a função reprodutiva e a capacidade de se relacionar afetivo e sexualmente.

Quando se nega o trabalho de Educação Sexual ou se adere ao discurso de que esse tema é “inadequado” aos alunos, é preciso refletir: será que o educador não está deixando de ser um elemento transformador para se tornar um instrumento de atrofia pessoal e social?

Para caminharem sozinhos, os jovens precisam abastecer a bagagem da vida com conhecimentos. Sejam eles adquiridos nas experiências familiares, seja na vivência pessoal, mas também por meio de ensinamentos formais da escola e da emoção de um livro. Se houver alguma dificuldade de compreensão do livro, ela vai precisar de um adulto próximo para conversar. E aí, quem é que não está preparado para o tema?

Compartilhe nos comentários a sua opinião!


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O que são contraceptivos hormonais?

| Corpo e saúde

DIU e Pílulas anticoncepcionais. Crédito: shutterstock

Além da camisinha, quais métodos contraceptivos são seguros para adolescentes? No post de hoje vamos falar sobre os métodos hormonais!

A pioneira desses métodos foi a pílula anticoncepcional. Existem muitas polêmicas sobre  sua utilização, principalmente, quando a usuária é uma adolescente: a garota pode ficar estéril? Usar a pílula engorda? É um remédio perigoso?

A pílula é um dos medicamentos mais pesquisados da história da Medicina. As pioneiras, comercializadas em maio de 1960, nos Estados Unidos, tinham uma dosagem hormonal muito alta e causavam diversos efeitos desagradáveis. Os níveis de estrogênio, especialmente, eram bastante elevados: em torno de 200 microgramas ou mais. Com o tempo, os cientistas conseguiram reduzir as taxas de hormônios, sem comprometer a eficácia do método. Resultado: as pílulas de última geração chegam a ter menos de 20 microgramas de estrogênio com uma margem de segurança de 99,9%.

A ideia de que a pílula engorda não é verdadeira, apesar de bastante difundida. Ela pode contribuir para o aumento na retenção de líquidos no corpo e dar a falsa impressão de engorda. Atualmente, existem no mercado dezenas de anticoncepcionais hormonais, com grande variedade de dosagens e combinações hormonais. Independentemente da escolha do método hormonal, não há nenhuma dificuldade para uma gravidez futura. Após a interrupção, a fertilidade é facilmente revertida.

No entanto, como estamos falando de medicamentos, eles também tem contraindicações. Os métodos hormonais estão relacionados, principalmente, ao risco de complicações vasculares, como a trombose e AVC (acidente vascular cerebral). Daí a importância de consultar um ginecologista antes de fazer a sua escolha. A indicação de um método contraceptivo pode variar de mulher para mulher, pois cada uma tem um histórico familiar e pessoal diferente.

Os métodos hormonais

Ao longo de minha experiência, percebi que a maior dificuldade das jovens em usar corretamente os métodos hormonais é o desconhecimento de seu mecanismo de ação  Na conversa com os alunos sobre o tema, a dica é priorizar a compreensão do seu funcionamento. . No caso dos hormonais, é preciso deixar claro que a principal função contraceptiva dele é impedir a ovulação.

Você pode explicar que isso acontece porque o contraceptivo hormonal “engana o cérebro”. Esses compostos são substitutos sintéticos ou bioidênticos dos hormônios que regulam o ciclo menstrual feminino, o estrogênio e a progesterona. A presença desses “covers” na circulação faz o cérebro acreditar que não há necessidade de mandar os ovários produzirem hormônios. E, sem essas substâncias naturais, o óvulo não amadurece, portanto, não há ovulação.

Desta forma, enquanto a garota usar algum método hormonal, não haverá óvulo nas trompas para os espermatozoides fecundarem.

Sugestão de trabalho com os alunos

Abra a conversa dizendo que A gravidez faz parte da natureza humana, não é “milagre!”. A partir da primeira ovulação, qualquer garota corre o risco de engravidar numa relação sexual, ou num “namoro” mais íntimo em que o garoto ejacule próximo à entrada da vagina, se ela estiver no período fértil. Mas ninguém deve e nem precisa correr este risco na adolescência! Afinal, essa é uma fase de descobertas, brincadeiras, festas, mas também de um grande desenvolvimento escolar e de preparação para realizar o sonho profissional. Portanto, nesse momento não cabem a maternidade e a paternidade!

1ª etapa

Aqueça os alunos para falar sobre os contraceptivos hormonais apresentando informações sobre seu funcionamento e utilização, conforme a tabela abaixo.

Método Uso

Pílula anticoncepcional. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan

Pílula

Ingestão de um comprimido por dia, todos os dias, até finalizar uma cartela. Quando iniciar a ingestão e o período de pausa entre as cartelas, dependerá do tipo de pílula recomendada pelo médico.
Método hormonal: injetável. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanInjetável Consiste em tomar uma injeção muscular uma vez por mês ou a cada 3 meses, de acordo com a indicação médica.
Adesivo contraceptivo. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanAdesivo hormonal O adesivo, que contém hormônios, deverá ser colado na pele, em qualquer local do corpo, menos nos seios ou próximo a eles. É trocado semanalmente e necessita de pausa de uma semana após três semanas de uso.
Anel vaginal. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan
Anel vaginal
É um anel plástico, flexível, que é encaixado no colo do útero, de onde libera uma pequena dose de hormônio. A colocação é caseira e o anel deverá permanecer no local por 21 dias. Após esse período, deve-se fazer uma pausa de 7 dias e um novo anel será utilizado.
Implante. Crédito: Divulgação/Instituto KaplanImplante O implante é inserido debaixo da pele, na região do braço, por um médico. Durante três anos, vai liberar diariamente na corrente sanguínea as doses necessárias de hormônios para evitar a gravidez.
DIU hormonal. Crédito: Divulgação/Instituto Kaplan
DIU Hormonal
É um pequeno cilindro com hormônios que, ao ser colocado no útero, passa a liberar hormônios, gradativamente. A colocação é feita em consultório médico. A durabilidade deste método é de 5 anos e, durante o seu uso, a garota não menstrua.

2ª etapa

Divida seus alunos em 6 grupos, dê a eles uma numeração de 1 a 6, dispondo-os de forma circular.

Atividade em grupo

Entregue a cada um deles um tipo de método hormonal.  Em seguida, peça para que eles conversem entre si sobre o que sabem a respeito do contraceptivo que ficou ao encargo deles e construam 2 perguntas que gostariam que fosse esclarecidas nessa aula.

3ª etapa

Proponha uma versão adaptada da conhecida brincadeira “Verdade ou consequência?”. Use uma garrafa e coloque no centro da roda, entre todos os grupos. Depois ao sinal do professor, o grupo 1 deve girar a garrafa, e ao grupo para o qual o bico da garrafa apontar é perguntado: verdade ou consequência?

  • Caso o grupo escolha verdade eles devem responder a pergunta do grupo 1.  Cada resposta correta vale 2 pontos para o grupo que respondeu.
  • Caso o grupo escolha consequência. O grupo não ganha nem perde pontos. A pergunta é passada para o grupo seguinte, na direção horaria. O grupo que acertar ganha 2 pontos. Isso inclui o grupo que fez a pergunta.
  • Se nenhum grupo conseguir responder o professor responde para eles. Aí, é a vez do próximo grupo girar a garraga e assim sucessivamente, até que todos os grupos tenham conseguido fazer pelo menos 1 pergunta.

4a etapa

Faça um compartilhar pedindo para que contem o que aprenderam no jogo. Para finalizar, reforce que o método principal na vida dos adolescentes é o preservativo. Ele é único método que dá, ao menino, autonomia e controle para decidir quando ter um filho. Além disso, ainda protege o casal das DST/Aids.

Hoje a recomendação pelo Ministério da Saúde é que se aposte nessa parceria: a camisinha como método de prevenção à gravidez e às DST/Aids e o método hormonal como um reforço contraceptivo.


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Os riscos do coito interrompido

| Corpo e saúde, Sexualidade

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Um dos temas que não podem faltar na Educação Sexual são os métodos contraceptivos. Esse é um assunto que os jovens precisam conhecer para lidar com a vida sexual de maneira responsável. Falar sobre isso, em geral, é sempre muito tranquilo, principalmente quando utilizamos uma metodologia participativa. No entanto, quando chega a vez do coito interrompido, o barulho na sala é grande. E a questão é sempre a mesma: por que falar sobre esse método se ele não é indicado para adolescente?

Porque as pessoas usam! Um estudo americano revelou que até 60% das pessoas já usaram o método pelo menos uma vez na vida, embora seja um dos principais métodos associados ao risco de gravidez não planejada. O mesmo estudo avaliou que o uso do coito interrompido aumentar em até 75% o risco de uma garota engravidar comparado a casais que usaram outros métodos contraceptivos. A sua possibilidade de falha, mesmo quando utilizado corretamente, está em torno de 4%, enquanto a pílula anticoncepcional, por exemplo, é de 0,1%.

Só escolhemos um caminho, se estamos convencidos de que ele é o melhor. Por isso nossos alunos precisam aprender sobre esse método e o seu funcionamento para conhecer os riscos que estão correndo quando o elegem como estratégia para driblar o risco de engravidar e, assim, tomarem uma decisão consciente.

O método do coito interrompido
O coito interrompido é a prática de retirar o pênis da vagina momentos antes da ejaculação, para evitar a gravidez. É uma prática antiga, talvez o método contraceptivo mais antigo de que temos notícias. Para vocês terem uma ideia, o Velho Testamento já fazia menção a ele. Muito utilizada por jovens e adultos por sua praticidade, já que não necessita de uma consulta ao médico ou de uma “exposição para estranhos” na farmácia: ele pode ser usado a qualquer momento, sem custo nenhum.

O coito interrompido é considerado, sim, um método contraceptivo. Para ocorrer a gravidez é necessário que a ejaculação aconteça dentro ou próxima à entrada da vagina porque é secreção vaginal o conduz até as trompas. Logo, se a ejaculação ocorrer distante da vagina, a gravidez não acontece. Este método parece ser uma maravilha quando não são levadas em consideração algumas questões. E são exatamente essas questões que podemos trazer para os nossos alunos durante uma aula sobre métodos contraceptivos.

A conversa com o aluno
Explique para os alunos que o maior problema do coito interrompido é o controle da ejaculação. Retirar o pênis da vagina, justamente no momento em que a excitação está alta e prestes a levar o garoto ao orgasmo, não é uma tarefa fácil, muito menos na adolescência! Isso exige um autoconhecimento e muita disciplina, o que é difícil neste período da vida. Em geral, quando o garoto se dá conta de que precisa tirar o pênis, a ejaculação já aconteceu ou está acontecendo. E aí será tarde demais para evitar a gravidez, porque alguns espermatozoides já foram expelidos segundos antes da retirada completa do pênis.

A prática do coito interrompido também não evita o contágio de doenças sexualmente transmissíveis. O contato do pênis com a parede da vagina é o suficiente para a transmissão das DST, inclusive a Aids. Durante a relação sexual podem ocorrer microscópicas lesões nas paredes do pênis e da vagina que possibilitam a infecção, caso um dos parceiros esteja infectado.

As falhas deste método não param por aí! Faça os alunos refletirem sobre a qualidade da relação sexual, se em vez de haver um momento de entrega e desprendimento, eles só ficarem preocupados em controlar a ejaculação. O controle ejaculatório, a tensão de estar correndo risco de enfrentar uma gravidez e a sensação de ter a ejaculação e/ou orgasmo interrompidos durante a transa podem causar uma frustração sexual no casal, e em alguns casos, levar a problemas futuros de disfunção erétil e/ou ejaculatória.

Por fim, o educador pode concluir com a ajuda deles que as aparências enganam. O que parecia ser um método prático e fantástico, na realidade, se torna muito complicado, além de arriscado.

Esse é um tema que você já abordou com seus alunos? Compartilhe no Blog sua experiência.


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Ficar e namorar: o que isso significa?

| Sexualidade

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“Ai, como é difícil entender essa juventude! Eles não querem mais saber de namoro, só pensam em ficar…”. Essa é uma frase comum nos meus treinamentos com os professores quando começamos a abordar o tema relacionamento afetivo e sexual na adolescência. Mas difíceis, na verdade, são os adultos!

Nós temos muita dificuldade de sair da nossa zona de conforto para buscar entender as circunstâncias que levam o jovem de hoje a experimentar um relacionamento afetivo e sexual de forma diferente daquela que vivemos ou que não estão previstas nos nossos conceitos de amar, se apaixonar. Quando ouço comentários como o que abre este post, minha resposta é sempre a mesma: acredito que a gente pode estar enganado. Eles querem, sim, namorar. Mas para isso precisam respeitar o seu tempo e o seu amadurecimento.

No início da adolescência, ninguém é capaz de ter uma relação sexual ou um envolvimento duradouro de pronto! O jovem passa por um processo de aprendizagem do seu papel sexual até estar preparado para se relacionar com alguém. É fundamental que qualquer educador que resolva conversar sobre sexualidade com adolescentes saiba e compreenda como se dá esse desenvolvimento afetivo-sexual. É por isso que abordo o assunto em todos os treinamentos que realizo.

Por que eles ficam e não namoram?
A chegada do ficar bagunçou muito a nossa referência de relacionamento. Para muita gente ele ainda soa como uma prática que precisa ser combatida. Mas não é bem assim. Trata-se de uma prática necessária ao desenvolvimento psicossexual dos jovens, que os prepara para aprender a lidar com o outro.

Além disso, os atuais conceitos de masculinidade e feminilidade privilegiam a conduta sexual dos jovens. Portanto, ser homem não é mais “fingir” que sabe tudo de sexo e se dedicar a ser um bom provedor. O homem também deve agradar sexualmente e o garoto é valorizado quando “tem pegada”.

Ser mulher não é mais apenas ser capaz de cuidar de filhos e de uma casa. A mulher também é sensual e a garota é apreciada na sua desenvoltura com as carícias sexuais, como no mínimo saber beijar.

É no ficar que eles treinam tudo isso. É também nele que têm a oportunidade de fazer só o que dão conta e ousam a experimentar, gradativamente, as práticas sexuais de acordo com a maturidade e vivência de cada um. Eles aprendem a beijar e a trocar carícias, mas também a seduzir, conversar, dar atenção, negociar, perceber o outro… até que se sintam seguros para viver isso de forma mais intensa, íntima e com compromisso – o namorar.

Todos querem namorar, principalmente as meninas, como bem diz a música do Luiz Gonzaga, o Xote das Meninas:

“Mandacaru quando fulora da seca
é sinal que a chuva chega no sertão
Toda menina que enjoa da boneca
é sinal que o amor já chegou no coração…
Ela só quer, só pensa em namorar…”

O que acontece hoje é que “enjoar da boneca” não é mais uma referência para se sentir pronta para encarar um namoro, mas para estabelecer outras relações. Quando se namora a convivência é grande… É preciso se ter uma certa desenvoltura com relação ao seu papel sexual, se sentir em condições de lidar afetiva e sexualmente com alguém. Além disso, também é importante perceber certas afinidades, como gostar de determinada atividade esportiva, de estudar, de tipo de diversão ou interesse de projeto de vida. Tanto em meninas quanto em meninos, essa fase chega mais tarde, depois do “ficar”.

Ao conversar com os alunos, é importante ter em mente esses aspectos. Não podemos instruí-los e ajudá-los se não compreendermos como eles costumam se relacionar. Mais informações sobre o processo de desenvolvimento afetivo e sexual estão disponíveis na aula 4 do projeto Quebra Tabu, desenvolvido pelo Instituto Kaplan.

Compartilhe aqui nos comentários suas percepções e dúvidas sobre as maneiras como os adolescentes se relacionam hoje!

Dica para os moradores de São Paulo
Na próxima semana, o Instituto Kaplan organiza uma exposição chamada “Por Dentro da Camisinha”. O evento acontece nos dias 24 e 25 de setembro, no Ibirapuera, e pode ser uma boa oportunidade para seus alunos conhecerem e discutirem sobre esse método de prevenção. Mais informações no link: http://www.kaplan.org.br/institucional/sec/exposicao-por-dentro-da-camisinha.


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A vacinação contra HPV é segura?

| Corpo e saúde, Família, Sexualidade

Crédito: Shutterstock

Eu fiquei muito preocupada quando ouvi a notícia sobre as alunas da escola de Bertioga que foram internadas no hospital por causa de sintomas como a perda de movimentos e sensibilidade das pernas causados, supostamente, pela vacina contra o HPV.

Para quem ainda não sabe, desde março, a vacina contra o HPV passou a ser distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas entre 11 e 13 anos e a segunda fase da campanha começou no dia 1o de setembro. Obviamente, minha primeira reação ao saber do acontecido foi querer saber sobre as meninas.   Mas, depois,  o impacto que uma notícia como essa pode causar na população ocupou os meus pensamentos como educadora sexual. Fui saber o que as pessoas estavam pensando.

Não deu outra! Como diz o ditado, notícia ruim chega logo. São inúmeros os sites, blogs e canais de notícias que divulgaram o acontecido, e os comentários são exatamente aqueles que eu suspeitava: “e agora, devo vacinar minha filha?”

As escolas serão bastante questionadas por muitos pais até que se esclareça de fato o que aconteceu com a essas garotas. Procurei me assessorar com médicos ginecologistas, neurologistas e imunologistas, e todos foram unânimes: não há nenhum motivo para pânico ou medo de vacinar as meninas.

Segundo a Folha de S. Paulo, a Secretaria Estadual de Saúde está acompanhando de perto os casos das 11 jovens e já descartou qualquer problema com o lote de vacinas utilizado em Bertioga. De acordo com a responsável pelo setor de Imunizações da Secretaria, Helena Sato, a vacinação contra o HPV vai continuar em todo o estado. Ela disse que não há nenhuma associação dos sintomas apresentados pelas adolescentes de Bertioga com a aplicação da vacina, uma vez que o mesmo lote, composto por 320 mil doses, vem sendo aplicado desde o início do mês em estudantes de todo o estado de São Paulo.

O suporte do educador

Quando se fala na prevenção de doenças como hipertensão ou diabetes, as pessoas conversam, buscam informações, trocam receitas de comidas saudáveis, dão dicas de formas de se exercitarem etc. Mas quando a doença está ligada ao sexo, geralmente não há diálogo, há julgamento. A vacinação gratuita contra HPV é uma grande conquista e é triste vê-la posta em risco.

A aids, por exemplo, foi descoberta nos anos 80 e até hoje há quem julgue que ensinar os jovens a se prevenir contra essa doença incurável é incentivá-los a ter relações sexuais. Isso é negar o benefício da informação. O conhecimento é uma das maiores virtudes para evitar os riscos a que todos nós estamos sujeitos na vida sexual. Ah! Como eu ficarei feliz no dia em que me defrontar com amigos trocando receitas de como colocar a camisinha de um jeito mais prazeroso ou dando dicas de práticas sexuais que evitam a possibilidade de infecção… Imaginem que atitude saudável a família dar camisinhas de lembrancinha do aniversário!!! Uma verdadeira festa para os meus olhos!

A vacina contra o HPV está por um triz de cair no conceito popular como algo nocivo. Nós, educadores, temos a obrigação de não deixar que isso aconteça! Como disse, a vacina contra o HPV (papiloma vírus humano) foi uma grande conquista para a prevenção dessa doença, que é uma das principais responsáveis pelos casos de câncer de colo do útero, um tumor frequente na população feminina e a segunda causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Conseguimos incluir a vacina no calendário nacional de imunizações, mas é preciso continuar falando sobre ela. Não ignore o assunto em sua escola, ao contrário! Converse com os pais e com seus alunos. Traga o tema à tona, perguntando suas opiniões e esclarecendo as dúvidas que aparecerem.

Em outros posts desse blog, trago informações sobre a vacina e formas de abordá-la em sala de aula e com os pais. Dê uma olhada! Eles podem lhe ajudar a introduzir e trabalhar o tema em sua escola:

Vacina contra o HPV: Mais um aliado no combate às DSTs

Quer que suas alunas se vacinem contra o HPV? Envolva pais e escola

 A vacina do HPV: proposta de abordagem com os alunos

Como educadores, é nosso papel tranquilizar os pais e as alunas sobre a vacinação!

Conte aqui no Blog Direto ao Ponto sobre a aceitação da vacina em sua escola.

 

 


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