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Edição 227 | Novembro 2009

Formação e salário são piores na Educação Infantil

. Com reportagem de Bianca Bibiano e Elisa Meirelles

Ilustrações: Mario Kanno
Ilustrações: Mario Kanno

Fonte Pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios, da UNESCO 

Os profissionais de Educação Infantil, que correspondem a 15% dos docentes da Educação Básica, são os que recebem os menores salários e os que têm pior formação inicial (veja os gráficos). As conclusões são da pesquisa Professores do Brasil: Impasses e Desafios, de Bernardete Gatti e Elba de Sá Barreto, divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Desde 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) indica que os educadores de creche e pré-escola tenham formação superior, mas admite o Nível Médio na modalidade Normal. No entanto, 11.261 dessas vagas são ocupadas por leigos - sem a formação devida. Meta do Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece para 2011 que 70% desses professores de Educação Infantil tenham nível superior. Helena Freitas, do setor de formação de professores do Ministério da Educação (MEC), diz, porém, que não será possível atingir o objetivo a tempo. "Temos muitos monitores nas salas e instituições filantrópicas cobrindo a deficiência de vagas das redes."


Indicadores
A Educação brasileira no IDH

De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2009, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil ocupa a 75ª posição entre 182 países analisados. Educação (porcentual de adultos alfabetizados e taxa bruta de escolarização), saúde (expectativa de vida da população ao nascer) e renda (PIB per capita) compõem o indicador. Tomando como base apenas os dados sobre Educação, a posição brasileira sobe para a 66ª, mesmo índice do Peru e mais de 20 posições abaixo da Argentina e do Chile. O Brasil está em 71º no ranking de analfabetismo (10% da população maior de 15 anos) e em 40º se considerada apenas a taxa de matrícula (87,2% do total de pessoas com idade para cursar o Ensino Fundamental, o Médio e o Superior).


Comportamento
Em casa, estudantes têm pouco contato com jornais e revistas

Luc Beziat/Getty Images
GASTO SUPÉRFLUO Para famílias, comprar jornais e livros não faz parte do orçamento
Luc Beziat/Getty Images

No Brasil, o gasto familiar com material de leitura é muito pequeno: corresponde a 0,5% do orçamento, muito abaixo do destinado a aparelhos eletrônicos (1,8%). O estudo O Livro no Orçamento Familiar, da Associação Nacional de Livrarias (ANL), revela também que famílias com um estudante gastam com o item menos que as demais: 46% contra 74%. "Os dados preocupam. É importante que os alunos vivam em um ambiente com grande variedade de textos e discussão sobre eles", analisa Marisa Lajolo, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

 

 


Na internet

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Calvin

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Parceria
Cartas no pedágio

"Olá, me preocupo com você. Cuidado no trânsito, dirija com segurança e aproveite para olhar as paisagens desta estrada." Esse é o trecho de uma carta escrita por Ketelen Portugal, aluna do 4º ano da EMEF Dona Mariúcha, em Resende, a 168 quilômetros da capital fluminense, para os motoristas que passam pela rodovia perto de sua casa. Assim como outros 75 mil estudantes do Rio de Janeiro e de São Paulo, ela participa do programa Estrada para a Cidadania, da CCR Nova Dutra. O projeto prevê que alunos produzam cartas, que são impressas e distribuídas no pedágio. Jeferson Soares, um dos motoristas que recebeu a carta, respondeu para a garota dizendo que vai seguir seus conselhos. "O texto que eu fiz chegou para quem eu queria", diz ela.


Ontem e hoje
Pátria amada

Foto: Acervo do Memorial do Ensino Municipal de São Paulo
Foto: Acervo do Memorial do Ensino Municipal de São Paulo

Em 1983, escolas como esta, em São Paulo, cumpriam uma lei de 1936 que obrigava o canto do Hino Nacional para alunos de 1º e 2º graus. Em setembro de 2009, a regra foi alterada e a periodicidade da prática no Ensino Fundamental deve ser semanal.

 

 

 


Ensino religioso
O que vale daqui em diante?

Em outubro, com a aprovação pelo Senado do acordo firmado entre o governo federal e o Vaticano, estabelecendo o oferecimento obrigatório do ensino religioso pelas escolas públicas, o tema voltou a chamar a atenção. Em tese, fica mantida parte do que já estava definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB): as aulas de ensino religioso só devem ser oferecidas caso algum pai de aluno solicite, mas são opcionais para os demais, já que o Estado brasileiro é laico. A discussão se dá em torno do trecho do acordo que cita "o ensino religioso católico e de outras confissões religiosas". Assim que o presidente da República promulgar o decreto, fica outra dúvida: o que deve ser seguido, a LDB ou o decreto, já que ambos terão o mesmo peso? "Se essa lei for sancionada, nossa Constituição será violada", diz Roseli Fischmann, professora da Universidade de São Paulo (USP) para NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR (leia a entrevista e participe de um polêmico fórum de discussão).

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