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Sequência Didática

Leitura de obras e construção de objetos de arte

Objetivo
- Desenvolver habilidade crítica para a leitura de obras de arte;
- Construir relações entre matéria e cultura.

Conteúdos Leitura de imagens, memória, materialidade, crítica, curadoria.

Anos 8º e 9º.

Tempo estimado 7 aulas

Material necessário
Computador, projetor, imagens de obras de arte extraídas de livros, sites e outras publicações, fichas do educativo da 29ª Bienal, coleção Arte e Sociedade (Editora Callis), livro OSTERWOLD Pop Art (Taschen), catálogos e folders de exposições, papel, tinta e objetos que os alunos possam levar para a escola como travesseiros, gavetas, caixas, algodão ou brinquedos velhos.

 

Desenvolvimento
1ª etapa
Organize uma aula expositiva e faça uma abordagem histórica sobre suportes e técnicas tradicionais da pintura e da escultura - como bronze, mármore, gesso e telas. Discuta com a turma quais eram os lugares da arte em diferentes épocas. Fale sobre os templos gregos, os obeliscos, o arco do triunfo, as igrejas, os museus e a academia. Para ilustrar esta etapa, lance mão de recursos audiovisuais. Você pode levar a turma à sala de informática e trabalhar com as obras disponíveis no site http://www.christojeanneclaude.net/. As fotografias e obras devem ser mostradas em ordem cronológica, em uma abordagem linear que na segunda etapa desta sequência será desconstruída. Faça uma pesquisa detalhada de imagens, organize-as abordando técnicas e funções. A ideia é deixar claro que arte nunca foi exclusivamente pintura e escultura.

2ª etapa

Organize com os alunos uma apresentação de imagens de objetos de arte moderna - como obras de Claes Oldenburg, Andy Warhol e Marcel Duchamp. Disponha livros de arte dadaísta, da Por Art, do Novo Realismo e de arte brasileira dos anos 1960 e 1970 para que a turma investigue com base no próprio interesse, sem impor a sua seleção. Mostre aos alunos exemplos de intervenções urbanas, de suportes digitais e de linguagens híbridas. Enfatize artistas brasileiros contemporâneos, que estão mais próximos da realidade dos estudantes; aprofunde o conceito de materialidade e ressalte a diferença das linguagens da arte moderna e contemporânea com relação às chamadas linguagens tradicionais da pintura e da escultura. Utilize materiais impressos, como folders de exposições, livros e catálogos de arte. A coleção Arte e Sociedade, de Aracy Amaral e André Toral (disponível nas salas de leitura da rede estadual de São Paulo) e o livro OSTERWOLD Pop Art, da Taschen, também é uma boa opção. O professor que frequenta exposições também deve habituar-se a colecionar esses catálogos e folders.
Deixe que os alunos manipulem os materiais livremente, de modo que o interesse individual de cada estudante conduza a abordagem feita por você. Divida os alunos em grupos e exponha diferentes imagens para cada equipe, com o objetivo de exemplificar suportes e materiais distintos. Os alunos devem compreender que há diferentes maneiras de se utilizar materiais alternativos e que isso não é uma exclusividade de determinado artista ou período da história da arte. Ofereça à turma informações que não podem ser compreendidas pela simples observação das imagens, mas tome cuidado para não elaborar questões condutistas, que inibam a reflexão da garotada. Esclareça questões históricas e fale sobre conceitos como o de design, religiosidade, hábitos, objetos de comunicação e utilitarismo.

3ª etapa

Cada estudante deverá escolher um objeto (que pode ser trazido de casa ou escolhido dentre os objetos disponíveis na escola) e escrever em um papel ideias que se relacionem a ele. Proponha que esta atividade seja realizada rapidamente, em no máximo 5 minutos, para captar as primeiras impressões do aluno sobre o objeto. Em seguida, disponha os objetos pela sala e sorteie os papeis entre os alunos, que deverão tentar adivinhar a quais objetos as ideias estão relacionadas. Essa atividade deverá gerar uma discussão a respeito da cultura, de diferentes vivências, de forma e conteúdo dos objetos. Encaminhe a discussão lembrando que os objetos são carregados de ideias. Debata com os alunos o que é próprio da função do objeto e os significados que nós, culturalmente, atribuímos a ele. Um exemplo é o uso do cinto, um objeto do vestuário que muitas vezes é associado a castigos físicos. Deixe que os alunos estabeleçam outras relações semelhantes.

4ª etapa
Proponha à classe a construção de objetos de arte, que podem partir de linguagens artísticas tradicionais ou não. O desafio é fazer com que os alunos criem tomando por referência formas do cotidiano - como as de alimentos ou de objetos funcionais, como telefones ou aparelhos de televisão. Esses objetos de referência podem ser representados nas criações ou deslocados como matéria para o trabalho final. É importante que a garotada troque ideias entre si e finalize os trabalhos em casa ou com a ajuda de outras pessoas. O objetivo desta etapa é que os estudantes se articulem para usar diferentes elementos de cor e forma incluindo os objetos que trouxeram na etapa anterior. Oriente-os a construir objetos que servirão a várias possibilidades de interpretação e explique que essas interpretações se dão de acordo com a cultura dos objetos articulados por todos em sala.

5ª etapa

Os alunos deverão estabelecer relações entre as criações de cada um com o objetivo de organizarem uma mostra na sala de aula. Todos deverão ter acesso às fichas do material do educativo da 29ª Bienal - com imagens de obras e informações sobre artistas que participam desta mostra de arte contemporânea - para que proponham relações entre os próprios objetos e as obras de arte estudadas. Oriente os alunos a sugerir obras de referência uns para os outros e faça com que observem semelhanças de temática, suportes e materiais utilizados.
A mostra de arte da turma deve ser montada de acordo com as propostas dos alunos, que deverão discutir as relações entre seus objetos e as questões sobre linguagens artísticas e materialidade abordadas ao longo desta sequência.

Avaliação
Observe se os trabalhos desenvolvidos pelos alunos foram apresentados em diferentes linguagens, como desenho, pintura, vídeo, fotografias, ready mades, entre outras. É fundamental que essas variações apareçam. Com base na mostra organizada pelos alunos e nas discussões realizadas em sala, avalie se todos aprenderam sobre o potencial expressivo de diferentes materiais e formas, possibilitando diferentes articulações entre essas formas e os conteúdos das imagens e obras de arte.

 

Consultoria Jaqueline Jacques da Costa
Professora de Arte da EE Anna Teixeira Prado Zacharias, em São Paulo.

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