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Sementes dão um novo sentido às aulas de Artes

Os alunos de Renata desenhavam sempre as mesmas casinhas e árvores. Para que eles soltassem a imaginação, a professora usou a natureza como fonte de inspiração

Gionava Girardi, Meire Cavalcante e Roberta Bencini

Folhas, galhos e sementes: Renata incentivou as crianças a observar o ambiente. Foto: Daniel Aratangy
Folhas, galhos e sementes: Renata incentivou
as crianças a observar o ambiente.
Foto: Daniel Aratangy

Uma casinha quadrada, uma árvore, o sol no canto do papel. Os desenhos da turma de Educação Infantil da professora Renata Cristina de Campos Honora não passavam disso quando ela assumiu a classe, em agosto de 2002. Analisando os trabalhos realizados até então, ela notou que as crianças só pintavam figuras prontas e quase não criavam. A falta de desafios era justamente a causa do problema. "Vi a necessidade de desenvolver o grafismo na garotada. O desenho é a primeira forma de comunicação escrita", afirma Renata.

Ao ver as crianças no pátio brincando com sementes que caíam das árvores, a professora percebeu um bom ponto de partida. O grupo poderia observar melhor as sementes e desenhá-las. Como a Escola Municipal de Educação Infantil Maria José Dupré fica em uma região periférica de São Paulo, rodeada por mata Atlântica, Renata ampliou a idéia inicial, valorizando a importância de preservar o meio ambiente.

Passo-a-passo e metodologia

1.Criatividade vem com observação
Para iniciar o projeto, a professora pediu à classe um desenho livre. Os alunos estranharam e perguntaram pelas folhas mimeografadas, com as quais estavam acostumados. Logo descobriram que elas não seriam mais usadas. Como Renata já esperava, esses primeiros desenhos saíram estereotipados e parecidos com os que ela já tinha visto. Para estimular a criatividade, lançou o desafio: representar no papel as sementes encontradas no pátio e que tanto divertiam a todos. Perto das árvores, a garotada reproduziu galhos, folhas e sementes com hidrográfica em papel Kraft. Renata chamou a atenção para texturas, cores e formas por meio da observação e do toque. Os resultados foram significativos. Logo as curvas das sementes e as ranhuras dos troncos estavam representadas no papel.

Como tarefa de casa, Renata pediu que os pequenos trouxessem sementes, folhas, cascas e galhos encontrados no caminho. Para despertar a importância da preservação da natureza, ela orientou a turma a só recolher o que estivesse no chão. Em sala, depois de separado e organizado o material, cada criança escolheu o que gostaria de observar e desenhar, usando lápis de cor e giz de cera.

2.Cada um mostra o que desenhou
Novos desenhos, feitos em sacos plásticos transparentes, foram exibidos no retroprojetor. Ao ver as ampliações na parede da sala, os alunos ficaram encantados. Durante a projeção, todos explicaram por que tinham escolhido aquela folha, semente ou árvore para desenhar. Assim, a turma treinou a oralidade e driblou a timidez. Como a atividade era nova, a professora estabeleceu combinados: nenhum colega deveria ser interrompido e duas crianças não poderiam falar ao mesmo tempo.

3.Pesquisando, a turma aprende a plantar
Para envolver a família, a professora pediu aos estudantes que levassem as sementes e as folhas para casa e, com a ajuda dos pais, pesquisassem sobre elas. Eles consultaram também livros e revistas em busca de informações sobre meio ambiente. Descobriram que na terra as sementes germinam e que, para crescer, precisam de luz e água. Em seguida, algumas sementes foram plantadas em vasinhos, que eram regados e deixados onde batia o sol, conforme haviam aprendido. Em um painel montado por Renata, a garotada descreveu as etapas de crescimento das plantinhas desenvolvendo a linguagem escrita.

4. A garotada faz gravuras, pinturas e jogos
Renata exibiu um vídeo sobre o Pantanal para as crianças conhecerem diversos tipos de vegetação e outro sobre a serra da Capivara, no Piauí, mostrando pinturas rupestres. Elas se encantaram com o estilo dos desenhos, que acharam muito parecidos com os que estavam fazendo. A professora quis diversificar os materiais utilizados e organizou oficinas para produzir tintas. Os alunos coletaram barro e flores de tonalidades diferentes, sementes de urucum e folhas para obter tons variados. Eles também confeccionaram pincéis fixando em galhos trouxinhas de tecido recheadas de algodão. Depois, fizeram com eles novos trabalhos.

A técnica de gravura também foi aplicada. Os estudantes criaram matrizes desenhando com palitos em bandejas de isopor. Eles passavam um rolinho de pintura com tinta sobre a matriz e, em seguida, faziam a impressão no papel, como se fosse um carimbo. Com as gravuras reproduzindo os desenhos rupestres feitos pelas crianças, ela confeccionou um jogo da memória. Cascas e sementes serviram para construir um jogo-da-velha e um de percurso. Este último trabalhou os temas estudados, os números e o raciocínio.

Durante todas as atividades práticas, Renata fotografou e filmou as crianças, que se sentiram importantes por participar do trabalho. A professora também produziu textos coletivos em diversos momentos. Dessa maneira, ia registrando as descobertas dos pequenos. No final do projeto, eles produziram painéis onde cada um desenhou, de memória, uma das árvores estudadas. 

 TEMA DO TRABALHO

Criação e registro gráfico

Educação Infantil - 6 anos

OBJETIVOS E CONTEÚDOS

Renata tinha como intenção levar a turma a desenhar espontaneamente, com base na observação e na memória. Para tanto, desenvolveu nos alunos o gosto pela produção e criação; mostrou a eles elementos de linguagem visual: ponto, linha, forma, cor, volume, textura e espaço; sensibilizou o olhar do grupo para o meio ambiente, mostrando a importância de preservá-lo; e levou a classe a pesquisar sobre diversos tipos de vegetação.

AVALIAÇÃO
Durante todo o projeto, Renata observou o desenvolvimento do senso estético, da criatividade e da produção gráfica dos estudantes. Ela fez registros escritos sobre a resposta dos alunos a cada atividade, o que possibilitou lançar a mão de outras estratégias sempre que necessário.

PARA AMPLIAR ESTE PROJETO

De acordo com a selecionadora do Prêmio Victor Civita, Renata Chaves de Carvalho, os alunos podem confeccionar um álbum com folhas de árvores e plantas (recolhidas do chão), classificá-las por critérios como cor, tamanho, textura ou formato e, se possível, identificá-las. As folhas devem ser limpas e colocadas em sacos plásticos com furos para não mofar. Num passeio ao parque, é possível realizar uma pesquisa sobre a fauna e as árvores mais comuns da cidade. A turma pode acompanhar as transformações das árvores em cada estação do ano e registrá-las. Isso gera material para boas discussões, nas quais os alunos colocam suas hipóteses sobre o que observaram e comprovam suas teorias.

Quer saber mais?

CONTATOS
Escola municipal de educação infantil Maria José Dupré
, R. Pastor Antonio Grecchi, 84, 05271-110, São Paulo, SP, tel. (11) 3916-6494
Renata Cristina de Campos Honora, e-mail: renatahonora@bol.com.br

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Publicado em Fevereiro 2005,
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