Bianca Bibiano

Está na fala dos especialistas, em incontáveis parágrafos dos livros da área e nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte: a criança precisa ter acesso à maior diversidade possível de ferramentas para experimentar seus caminhos artísticos. O problema é que a realidade das escolas está longe desse discurso. "No Brasil, poucas instituições dispõem de um ambiente ideal para a aula de Arte ou de verba para compras", afirma Isabel Graciano, formadora de professores do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo. A boa notícia é que há saídas para esse quadro. Se sonhar com uma sala específica para a disciplina parece uma miragem distante para a maioria dos professores, fazer dos espaços existentes lugares adequados é, definitivamente, possível (leia o projeto institucional na página seguinte). Basta um pouco de disposição e de conhecimento didático.
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Reportagens
Atividades
Transformar a sala em um ateliê envolve duas preocupações básicas. Primeiro, é preciso reorganizar o espaço para favorecer a criação. Nesse aspecto, a disposição das carteiras é um dos pontos centrais. "Quando posicionadas de uma maneira diferente da convencional - ou seja, enfileiradas uma atrás da outra -, as carteiras ampliam sua função como suporte do trabalho", explica Stela Barbieri, diretora de ação educativa do Instituto Tomie Ohtake.
O arranjo depende da atividade a ser desenvolvida: algumas opções são juntar todas no centro, possibilitando reunir os materiais no mesmo lugar, encostá-las na parede para que a garotada se sente no chão ou reunir quatro carteiras para grupos menores. Se a classe tiver alunos com deficiência física ou visual, assegure que haja bastante espaço para que eles possam se locomover sem obstáculos (leia o quadro ao lado). Para materializar essa pequena "revolução", considere que os alunos podem ajudar, tanto na criação do espaço como na desmontagem, preparando a sala para a aula seguinte.
Inclusão - Deficiência visual
Mobilidade é a palavra-chave para adaptar o espaço da sala de Arte para um aluno com deficiência visual. Além de garantir vias de circulação por toda a classe, os materiais precisam estar acessíveis e, preferencialmente, manter a mesma disposição em todas as aulas. Para que a criança possa identificar onde estão os recursos, recorra a marcas táteis, como inscrições em braile em potes e caixas. O tato também deve ser privilegiado para facilitar a produção. Na pintura, uma boa saída é adicionar substâncias que modifiquem as texturas de determinadas tintas, deixando algumas cores mais ásperas e outras mais lisas. Para que o estudante possa "enxergar" as cores, é interessante associá-las a sensações: o vermelho, por exemplo, é uma cor quente, que representa o fogo, o calor etc. Por fim, na avaliação, enfoque o processo de criação e não tanto o resultado, observando o uso dos recursos disponíveis e debatendo as técnicas empregadas.
Adaptado, carrinho de compras transporta recursos para a sala
Uma segunda necessidade é levar o máximo de recursos para a classe. Um ateliê itinerante, transportado de uma sala para outra a bordo de carrinhos, é uma excelente saída para escolas sem espaço exclusivo para a Arte. A estratégia faz sucesso nas turmas de 1º a 3º ano da professora Valéria Ferreira Costa, da EM Maria de Lurdes Duarte Moreira dos Santos, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a 84 quilômetros de Belo Horizonte. "Coloco meu material no carrinho e, com a ajuda dos estudantes, modificamos a sala em poucos minutos", conta.
A parceria com a turma também colabora para aumentar a variedade de recursos artísticos. Da casa dos pequenos, vêm gravetos, palitos de churrasco, papelão e jornal. Eles trazem também materiais como café, terra e outros pigmentos, que, misturados à água, viram tinta para pintar. Segundo Valéria, a qualidade dos trabalhos melhorou, assim como a relação dos alunos com a criação artística. "Eles começam a perceber que é possível trabalhar com materiais que nem pensavam em usar", completa.
Quer saber mais?
CONTATOS
EM Maria de Lurdes Duarte Moreira dos Santos, Trav. Vista Alegre, s/nº, 35935-000, São Gonçalo do Rio Abaixo, MG, tel. (31) 3833-5573
Isabel Graciano
Stela Barbieri
BIBLIOGRAFIA
Desenho Cultivado da Criança: Prática e Formação de Educadores, Rosa Iavelberg, 112 págs., Ed. Zouk, tel. (51) 3024-7554, 23 reais
FILMOGRAFIA
Vermelho como o Céu, Cristiano Bortone (dir.), Califórnia Filmes, tel. (11) 3048-8444, 39,90 reais
ana cristina freire barbosa - Postado em 24/08/2010 11:06:02
gostaria de receber tecnicas de tintas obrigada.bj
rita de cássia souza - Postado em 22/08/2009 17:58:10
fiz um curso de artes outro dia sobre tintas ma snão consegui registrar no papel. adorei sou professora ediro quando os alunos criam. vc podem me enviar receitas de como fazer tintas com materias da natureza . Obrigado! Rita