Daniela Almeida

Há poucos meses, apreciadores de arte e estudiosos do tema ganharam uma nova possibilidade de explorar os corredores de vários museus e ficar frente a frente com as obras seja lá de onde for, a qualquer hora e sem gastar um tostão. Trata-se do Google Art Project, mais um site de acervos online. Porém não são somente esse ganho que justifica o uso de materiais virtuais. Como essas, a oportunidade de apreciar criações de Pablo Picasso (1871-1973), Paul Cézanne (1839-1906) e Tarsila do Amaral (1886-1973) com apenas alguns cliques é excelente e deve ser (bem) aproveitada na sala de aula.
Por isso, você tem de ir além e proporcionar à moçada aprendizagens reais. Para isso, precisa sistematizar a oportunidade, focando especialmente práticas que não seriam possíveis em uma visita presencial. A ferramenta de zoom disponível em alguns sites, por exemplo, funciona como uma lente de aumento e permite às crianças conhecerem as obras em detalhes, a ponto de observarem coisas que a olho nu passariam despercebidas. "Em uma investigação atenta, por exemplo, percebe-se que algumas pequenas áreas de um quadro não receberam tinta e a tela está crua ou que, em outras, a tinta está rachando devido ao passar do tempo", explica Carlos Arouca, professor da Escola Vera Cruz, em São Paulo. Também é possível analisar o tipo de material utilizado. Em um quadro de Vicent Van Gogh (1853-1890), chega-se a um nível de detalhamento que permite ver a espessura da massa de pigmento que o artista usava. "A olho nu, isso é inviável", explica Arouca.
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