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O que ensinar em Arte

O ensino da área se consolida nas escolas sobre o tripé apreciação, produção e reflexão

Beatriz Santomauro

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=== PARTE 1 ====

REFLETIR O professor deve analisar temas
já aprofundados, como o frevo e o enredo
de uma peça teatral. Foto: Eduardo Queiroga

Durante muitos anos, o ensino de Arte se resumiu a tarefas pouco criativas e marcadamente repetitivas. Desvalorizadas na grade curricular, as aulas dificilmente tinham continuidade ao longo do ano letivo. "As atividades iam desde ligar pontos até copiar formas geométricas. A criança não era considerada uma produtora e, por isso, cabia ao professor dirigir seu trabalho e demonstrar o que deveria ser feito", afirma Rosa Iavelberg, diretora do Centro Universitário Maria Antonia, em São Paulo, e co-autora dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) sobre a disciplina.

Nas últimas duas décadas, essa situação vem mudando nas escolas brasileiras. Hoje, a tendência que guia a área é a chamada sociointeracionista, que prega a mistura de produção, reflexão e apreciação de obras artísticas. Como defendem os próprios PCNs, é papel da escola "ensinar a produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, garantir ao aluno a liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias."

Infelizmente, ainda há professores trabalhando na chamada metodologia tradicional, que supervaloriza os exercícios mecânicos e as cópias por acreditar que a repetição é capaz de garantir que os alunos "fixem modelos". Sob essa ótica, o mais importante é o produto final (e ele é mais bem avaliado quanto mais próximo for do original). É por isso que, além de desenhos pré-preparados, tantas crianças tenham sido obrigadas ao longo dos tempos a apenas memorizar textos teatrais e partituras de música para se apresentar em datas comemorativas - sem falar no treino exaustivo e mecânico de habilidades manuais em atividades de tecelagem e bordado.

Só nos anos 1960, com o surgimento do movimento da Escola Nova, ideias modernizadoras começaram a influenciar as aulas de Arte. Na época, a proposta era romper totalmente com o jeito anterior de trabalhar. Segundo esse modelo, batizado de escola espontaneísta (ou livre expressão), os professores forneciam materiais, espaço e estrutura para as turmas criarem e não interferiam durante a produção dos estudantes. Tudo para permitir que a arte surgisse naturalmente nos estudantes, de dentro para fora e sem orientações que pudessem atrapalhar esse processo. "Achava-se que a criança tinha uma arte própria e o adulto não deveria interferir", lembra Rosa.

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Luiz de Brito Franco Junior - Postado em 27/03/2010 11:56:44

Realmente o ensino da arte vem mudando sistematicamente no Brasil. Não acho que para melhor, pois em anos anteriores tinhamos o prazer de trabalhar arte na escola com desenhos, pinturas e tintas. Hoje a pratica da arte na escola se resume somente (o que vejo) a desenhos inacabados, sem explicações, pouco uso de pintura ou conhecimento de grandes obras. Tinta então nem pensar. Mas isso é sinal dos tempos talves esteja enganado visto que talves este seja os ensinamentos ideal para o século XXI.

lidyane bueno santos - Postado em 22/04/2009 00:35:17

DEVEMOS ICENTIVAR NOSSOS ALUNOS A SE ENTERESSAR SOBRE ARTE, POIS ASSIM PODEMOS FORMAR CIDADÃO MAIS SENSIVEIS.

SELMA CRISTINA FREITAS PUPIM - Postado em 05/04/2009 16:59:12

O conhecimento detém um relevante papel em qualquer projeção que se faça do futuro. Sem dúvida, a educação do futuro está centrada no imaginário e na utopia, pois existem tantos mundos quanto nossa capacidade de idealizar. Por isso, a necessidade de estimular o olhar da descoberta e o poder mágico que a arte e a literatura exercem quando se trata de conhecimento e leitura. Sendo assim, o professor é um eterno investigador das idéias impressas nas páginas que convidam à leitura da arte em toda sua magia. A leitura de textos e imagens guia os caminhos para um novo horizonte. A cada obra, nasce uma significativa imagem, que provoca permanente curiosidade e esse procedimento inserido no processo de aquisição de conhecimentos adquire uma medida de liberdade e fruição. O aluno descobre que o apreciar das artes é um novo sentido conferido à vida, é construir histórias e descobrir a realidade; é uma cumplicidade gerada pela energia do saber, pela magia da literatura, que estabelece um elo de trocas para eliminar as sombras da ignorância. É no espaço educativo que se possibilita o acesso à arte para uma grande maioria de nossas crianças e jovens. Propiciar o contato com o belo, desenvolver o gosto pela leitura, pintura, o contato com os clássicos da música serão valiosas contribuições, caracterizando novas situações comunicativas, promovendo uma situação real de aprendizagem. A escola está desafiada a mudar a lógica da construção do conhecimento, a lançar um novo olhar a esse público leitor em formação, pois o ensino alicerçado na arte, na música, no esporte e na leitura é a chave para o livre pensar.

Publicado em NOVA ESCOLA Edição 220, Março 2009. Título original: Conhecer a cultura. Soltar a imaginação

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